Partidos em Guerra Interna: Disputas Agitam Nove Estados Antes das Eleições

Partidos como União Brasil, PP e PL enfrentam disputas internas acirradas em nove estados brasileiros. Conflitos sobre candidaturas ao governo e Senado definem o cenário eleitoral até agosto, com cúpulas nacionais intervindo em casos de impasse.

Partidos em Guerra Interna: Disputas Agitam Nove Estados Antes das Eleições

As convenções partidárias para a definição de candidaturas às eleições de 2026 iniciam em meio a intensas disputas internas em ao menos nove estados brasileiros. Lideranças locais e federações partidárias enfrentam embates e rixas, complicando a escolha de nomes para o governo e o Senado. O prazo final para a formalização das candidaturas é 5 de agosto, e a resolução de conflitos pode ficar a cargo das cúpulas nacionais dos partidos.

## Federações em Conflito

A federação formada por União Brasil e PP, que obriga as legendas a permanecerem juntas por, no mínimo, quatro anos, enfrenta pendências em quatro estados. Esforços da cúpula nacional e reorganizações internas não foram suficientes para apaziguar desentendimentos, especialmente no Nordeste, onde disputas pela vaga ao Senado se acirram. Em Pernambuco, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), divergem sobre quem integrará a chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). Enquanto Eduardo da Fonte tem o aval da executiva estadual da federação, Miguel Coelho alega ter a preferência da governadora. No Maranhão, a divisão é ainda mais acentuada, com os deputados federais André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) lançando pré-candidaturas ao Senado por chapas opostas, uma alinhada ao grupo de oposição ao governador Carlos Brandão (MDB) e outra ao grupo do próprio governador. A federação tende a manter neutralidade na disputa pelo governo.

## Pendências e Alianças Regionais

Em Roraima, a cassação do governador Edilson Damião (União Brasil) intensificou a turbulência partidária. O União Brasil está dividido quanto aos candidatos ao Senado, com Pastor Isamar Ramalho e Tânia Soares, cunhada do ex-governador inelegível Antonio Denarium, em lados opostos. A legenda se torna um ponto estratégico na disputa pelo governo, com Isamar apoiando o governador em exercício Soldado Sampaio (Republicanos) e Tânia se aproximando do ex-prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (PL).

Mato Grosso também registra tensões. Mauro Mendes (União Brasil), que deixou o governo para disputar o Senado, não conseguiu impor seu apoio ao então vice, Otaviano Pivetta (Republicanos). A tendência é que o União Brasil referende a candidatura do senador Jayme Campos ao governo, mas libere filiados para apoiar Pivetta. O PSD, líder da oposição, também vive impasse interno, com a pré-candidatura da médica Natasha Slhessarenko ao governo enfrentando a ambição do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, com apoio do PT e do presidente Lula.

O Partido Liberal (PL), que lançará o senador Flávio Bolsonaro à presidência, também tem pendências em pelo menos quatro estados, com destaque para Minas Gerais, onde aguarda uma definição sobre a candidatura ao Senado. Essas indefinições demonstram um cenário eleitoral complexo e fragmentado em diversas regiões do país.