Ortega decreta fim das eleições na Nicarágua e consolida poder
Daniel Ortega, ditador da Nicarágua, anuncia o fim das eleições no país para impedir o retorno da oposição e consolidar seu regime autoritário.

O líder da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou em discurso que o país não realizará mais eleições. A declaração, feita no domingo (19) durante as celebrações do 47º aniversário da Revolução Sandinista, visa explicitamente fechar qualquer caminho para a oposição e impedir seu retorno ao poder. Ortega, que está no poder ininterruptamente desde 2007, afirmou que os dias em que partidos "apoiados pelos ianques e pelos somozistas" poderiam retornar ao governo "acabaram".
A decisão de Ortega consolida ainda mais o regime que ele divide com sua esposa, Rosario Murillo, que atua como "copresidente". O casal controla praticamente todos os aspectos do governo, incluindo as Forças Armadas e o Poder Judiciário. A última eleição, em 2021, já foi marcada por contestações, detenções de opositores e líderes empresariais, além da criminalização da dissidência.
Grupos opositores e organismos internacionais denunciam há anos a ocorrência de fraudes eleitorais generalizadas e a total ausência de liberdades civis na Nicarágua. O Conselho de Direitos Humanos da ONU acusou o governo de Ortega e Murillo de transformar o país em um "Estado autoritário" e de violar sistematicamente os direitos humanos. A Nicarágua vive uma grave crise política desde abril de 2018, quando protestos antigovernamentais foram reprimidos com violência, resultando na morte de mais de 300 pessoas.