Onda de Direita na América Latina: Segurança e Redes Sociais Impulsionam Ascensão

A direita consolida poder na América Latina impulsionada pela preocupação com segurança e uso de redes sociais, contrastando com governos de esquerda anteriores.

Onda de Direita na América Latina: Segurança e Redes Sociais Impulsionam Ascensão

A América Latina vive uma notável expansão do poder político da direita, alterando significativamente o mapa eleitoral do continente. De acordo com informações cruzadas de BBC Brasil e A Gazeta ES, a região soma agora 12 chefes de Estado com posicionamentos à direita, um aumento em relação ao início de 2023, quando eram 11 países sob governos de esquerda. Essa tendência, embora envolva líderes com diferentes graus de radicalismo, é marcada por uma identidade ideológica compartilhada, com apoio mútuo e a adoção de símbolos polêmicos, como as políticas de segurança de Nayib Bukele em El Salvador.

## Foco na Segurança Pública

Um dos principais motores dessa ascensão da direita é a forte demanda popular por maior eficácia no combate à criminalidade. A segurança pública emergiu como uma das preocupações centrais dos cidadãos latino-americanos, especialmente em países como Equador e Peru, que registraram aumentos expressivos na violência e extorsão. O medo do crime também se intensificou no Chile, superando em preocupação nações com índices de homicídios mais elevados, como México e Colômbia. Candidatos de direita têm capitalizado essa demanda, prometendo "ordem" e "braço forte" contra o crime, como demonstraram Keiko Fujimori no Peru, Abelardo de la Espriella na Colômbia, Daniel Noboa no Equador, José Antonio Kast no Chile e Nasry Asfura em Honduras.

Nayib Bukele, presidente de El Salvador, é citado como um expoente dessa nova direita regional. Sua abordagem de redução da violência das gangues, através de um estado de exceção que concentrou poder e suspendeu garantias constitucionais, tem sido vista como um modelo por alguns, apesar das denúncias de abusos. A professora de relações internacionais Regiane Bressan, da Universidade Federal de São Paulo, aponta que a violência, embora real, é também fruto de problemas estruturais como pobreza e desigualdade, que governos de esquerda não conseguiram resolver completamente.

## Novas Estratégias e Influência Externa

Além da ênfase em políticas de segurança mais rigorosas, a nova direita latino-americana se diferencia dos conservadores tradicionais pelo uso mais eficiente das redes sociais como ferramenta de proselitismo. Especialistas apontam para uma maior agressividade verbal contra adversários, especialmente a esquerda e a chamada "cultura woke", por vezes desrespeitando normas democráticas. Esse estilo combativo é comparado ao de Donald Trump.

O governo de Trump buscou alinhar-se a líderes de direita na América Latina para reafirmar a influência dos EUA na região e conter a China. Segundo Bressan, essa influência pode se estender e tensionar eleições em países como o Brasil e o México, alertando para o risco de governos extremistas que rompem com a democracia. A pesquisa regional Latinobarómetro indica que essas mudanças políticas se iniciaram no continente há algum tempo.