Mulheres podem ficar fora de promoções de almirantes na Marinha dos EUA após 10 anos

Secretário de Defesa dos EUA impede promoção de mulheres a almirantes na Marinha após uma década, citando preocupações com diversidade e gerando críticas políticas.

Mulheres podem ficar fora de promoções de almirantes na Marinha dos EUA após 10 anos

## Promoções na Marinha Americana em Xeque

O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, tomou uma medida considerada incomum ao bloquear a promoção de sete oficiais superiores da Marinha, dos quais cinco são mulheres ou minorias. Essa decisão, que impede que a Marinha promova uma mulher ao posto de almirante pela primeira vez em mais de uma década, gerou forte repercussão e críticas. A lista original de promoções, selecionada por uma comissão de almirantes de alta patente, incluía oficiais com mais de 25 anos de serviço e com desempenho considerado excepcional.

Entre as oficiais removidas da lista está a contra-almirante Amy Bauernschmidt, que em 2020 foi a primeira mulher a comandar um porta-aviões nuclear da Marinha. Hegseth não apresentou justificativas formais para a exclusão dos nomes, mas tem expressado publicamente suas preocupações com o que ele chama de foco excessivo em promoções baseadas em diversidade em detrimento do mérito, citando em seu livro de 2024 o que ele descreve como um aumento nas promoções por ação afirmativa.

## Críticas e Repercussões Políticas

As ações de Hegseth foram alvo de uma carta de sete senadores democratas, datada de 6 de julho. Na missiva, os parlamentares expressam preocupação de que as decisões do secretário desconsiderem as conquistas dos oficiais e contrariem o princípio de um Exército apolítico. Segundo a política do Pentágono, a remoção de um oficial da lista de promoções só deveria ocorrer em casos de falhas morais, mentais, físicas ou profissionais que comprometam a capacidade de liderança. Os senadores solicitaram ao secretário um levantamento demográfico dos oficiais retirados e as bases legais para essas remoções.

O Pentágono se recusou a comentar as perguntas específicas sobre a decisão de Hegseth, com um porta-voz acusando o jornal The New York Times de ter uma "obsessão tóxica por raça e identidade". A Marinha, por sua vez, também não se pronunciou sobre o assunto. Essa controvérsia ocorre em um contexto onde mulheres representam 21% do efetivo ativo da Marinha, mas apenas cerca de 7% dos almirantes em exercício. Hegseth já havia afastado ou demitido mais de 20 generais e almirantes, com mais da metade sendo mulheres ou negros, além de ter retirado cerca de 40 oficiais superiores das listas de promoção.