Ministro Venezuelano Antes Caçado Agora é Aliado de Trump

Diosdado Cabello, antes alvo de sanções e acusações de tráfico pela justiça americana, torna-se peça-chave na estratégia dos EUA para a Venezuela pós-Maduro.

Ministro Venezuelano Antes Caçado Agora é Aliado de Trump

Diosdado Cabello, figura proeminente no regime venezuelano e anteriormente um dos principais alvos de Washington, emergiu como um colaborador inesperado e peça-chave para a administração Trump na Venezuela. Apesar de seu histórico de acusações, que incluem tráfico de toneladas de cocaína, desvio de fundos e terrorismo contra opositores, Cabello tem sido tolerado e até aceito em interações de alto escalão com diplomatas e generais americanos.

A mudança drástica na abordagem dos Estados Unidos em relação a Cabello ocorreu após a intervenção militar liderada pelo governo Trump em janeiro, que resultou na queda de Nicolás Maduro. Em vez de trabalhar exclusivamente com a oposição pró-democracia, a Casa Branca optou por uma estratégia pragmática, envolvendo membros do próprio regime autocrático para buscar maior estabilidade no país.

## Nova Parceria em Meio à Crise

Os terremotos que assolaram a Venezuela em junho intensificaram essa cooperação. As autoridades americanas declararam apoio à líder interina, Delcy Rodríguez, e enviaram ajuda emergencial e tropas para auxiliar nos esforços de resgate e reconstrução. Essa dinâmica criou uma situação paradoxal, onde autoridades venezuelanas, muitas delas procuradas ou proibidas de fazer negócios com os EUA, agora colaboram diariamente com representantes americanos.

Cabello, um dos fundadores do Partido Socialista, não apenas manteve seu cargo ministerial, mas também assumiu um papel de promotor dos interesses americanos. Essa aproximação contrasta fortemente com seu passado, onde o Departamento de Estado americano oferecia uma recompensa de US$ 25 milhões por informações que levassem à sua prisão e/ou condenação. Ele também enfrenta sanções por corrupção impostas pelo Tesouro dos EUA e acusações da ONU de liderar o aparato repressivo venezuelano.

## Histórico de Acusações e o Futuro

O promotor do caso contra Cabello no Chile, que o acusa de ordenar o assassinato de um dissidente venezuelano em 2024, expressou o desejo de levá-lo à justiça, mas reconheceu as dificuldades impostas por restrições de extradição. A Promotoria dos EUA também o aponta como coordenador do transporte de toneladas de cocaína, em um processo que envolve outros membros do regime.

A estratégia de trabalhar com figuras como Cabello é vista por defensores como uma concessão necessária para alcançar a estabilidade, enquanto críticos a consideram uma traição ao desejo popular por mudança política. A reintegração de figuras conhecidas do aparato repressivo no novo "governo" é um reflexo dessa abordagem, que transformou o país em um protetorado de facto da Casa Branca.