Ministro da Fazenda sinaliza rigor fiscal em governo Lula

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, busca tranquilizar o mercado financeiro em São Paulo com promessas de maior rigor fiscal em um possível governo Lula a partir de 2027.

Ministro da Fazenda sinaliza rigor fiscal em governo Lula

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, realizou uma série de encontros na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, na semana passada, com o objetivo de transmitir segurança ao mercado sobre as perspectivas econômicas de um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir de 2027. Durante as reuniões com representantes de instituições como BTG, Itaú e XP, Durigan sinalizou que o governo reconhece a importância da questão fiscal e que há uma compreensão no Planalto sobre a necessidade de um arcabouço fiscal mais austero.

## Arcabouço Fiscal e Sustentabilidade

Durigan enfatizou a importância de discutir mecanismos que garantam a sustentabilidade da regra fiscal ao longo dos anos, buscando assegurar que as contas públicas permaneçam sob controle. Ele também reforçou que recebeu de Lula o empoderamento para falar em nome da equipe econômica, definindo as diretrizes da política econômica. Embora não tenham sido detalhadas medidas específicas, devido à complexidade dos gastos obrigatórios, a impressão deixada no mercado foi de que o governo está ciente dos desafios e disposto a enfrentá-los.

O ministro também se posicionou contra medidas de controle de capital, mas indicou a retomada de discussões sobre o impacto de investimentos isentos de Imposto de Renda. A ausência de menções a questões ligadas ao salário mínimo foi notada. A mensagem transmitida foi considerada positiva, mas a principal dúvida que permanece é sobre o espaço político para a implementação dessas propostas.

## Contraponto e Construção do Programa de Governo

A iniciativa de Durigan na Faria Lima surge como um contraponto às visões mais expansionistas apresentadas por Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha de Lula. Gabrielli havia sugerido diretrizes econômicas com viés expansionista, como o aumento do financiamento de desenvolvimento via bancos públicos e elevação da carga fiscal sobre rendas, o que gerou apreensão no mercado financeiro. Em resposta, o presidente do PT, Edinho Silva, desautorizou Gabrielli, afirmando que as propostas ainda estão em fase de construção e serão validadas pelo partido e pelo próprio Lula.

Durigan tem atuado em conjunto com os ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e da Gestão e Inovação, Esther Dweck, na elaboração das propostas econômicas. A apresentação do plano de governo, originalmente prevista para meados de julho, sofreu atrasos e poderá ocorrer após a convenção nacional do PT, marcada para 2 de agosto. A percepção predominante entre gestores de fundos e bancos é que a eleição presidencial caminha para um quarto mandato de Lula, com expectativas de mudanças relevantes no controle da economia apenas a partir de 2030.