Ministra Esther Dweck alerta sobre PEC do Banco Central

Ministra Esther Dweck alerta que PEC de autonomia do Banco Central pode criar nova casta de servidores, pedindo limites para benefícios extras além do teto salarial.

Ministra Esther Dweck alerta sobre PEC do Banco Central

A ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck, expressou preocupação com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa conceder autonomia financeira ao Banco Central (BC). Segundo a ministra, a medida, embora necessária para garantir a independência da instituição, corre o risco de estabelecer um precedente perigoso, criando uma "nova casta" de servidores públicos com benefícios exclusivos.

Dweck afirmou, em entrevista ao videocast C-Level, que o governo apoia a autonomia do BC, mas ressalta a importância de evitar que funcionários da instituição obtenham vantagens que nenhum outro servidor do Poder Executivo possa usufruir. "Queremos preservar a autonomia financeira, mas sem criar precedente para outras áreas", declarou.

A ministra revelou que o Executivo já elaborou uma proposta inicial para enviar ao Congresso Nacional com o objetivo de limitar os chamados "penduricalhos", adicionais salariais que ultrapassam o teto remuneratório do funcionalismo público. A expectativa é que este projeto seja enviado ainda neste ano, após discussões que amadureceram o tema.

A proposta geral do governo é definir claramente o que pode ser pago além do teto salarial. Benefícios como férias e 13º salário, que são atrelados ao salário base de cada servidor, não teriam limite. No entanto, outros auxílios, como alimentação e saúde, que podem ter valores variáveis, deveriam ser limitados a um percentual do teto salarial.

Para 2027, a estratégia do governo é destinar uma reserva específica no Orçamento para viabilizar reajustes salariais aos servidores do Executivo. A preocupação surge com a mobilização de servidores para obter benefícios semelhantes aos liberados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o Judiciário, como o quinquênio.

Dweck destacou que o Executivo, desde uma decisão inicial do ministro Flávio Dino, realizou um levantamento para garantir que nenhum pagamento extrateto fosse realizado sem previsão legal. Ela mencionou que a decisão do STF impôs restrições importantes a outros Poderes, especialmente ao Judiciário e ao Ministério Público, que em alguns casos pagavam mais de 100% do salário em penduricalhos.

A ministra enfatizou a necessidade de consenso entre os Poderes para avançar na regulamentação dos penduricalhos. Ela indicou que os presidentes do STF, Luís Roberto Barroso, e da Câmara, Arthur Lira, demonstraram interesse em debater o tema. Dweck reconheceu que a aprovação de um projeto de lei sobre o assunto não é trivial e requer amadurecimento, comparando o processo à dificuldade histórica em aprovar uma reforma tributária.