Ministério Público questiona compra de ônibus elétricos em Aracaju
Ministério Público de Contas de Sergipe pede reexame da compra de 15 ônibus elétricos por Aracaju, alegando sobrepreço em licitação de Belém.

O Ministério Público de Contas de Sergipe (MPC-SE) solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) a revisão de uma decisão que validou a compra de 15 ônibus elétricos e sete carregadores pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) de Aracaju, num investimento aproximado de R$ 56 milhões. A aquisição foi realizada por meio da adesão a uma ata de registro de preços previamente estabelecida pelo município de Belém, no Pará.
## Questionamentos sobre a Origem da Compra
A principal preocupação do MPC-SE reside na própria licitação original de Belém. O Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA) já havia apontado falhas de planejamento e indícios de sobrepreço na aquisição de veículos naquele município. O MPC-SE argumenta que esses problemas identificados na origem podem ter sido transferidos para a compra efetuada por Aracaju, uma vez que a ata de preços foi a mesma.
O recurso apresentado pelo MPC-SE destaca que o processo de análise em Aracaju foi encerrado sem o devido esclarecimento de pontos cruciais. Não foi comprovado tecnicamente que a adesão à ata de Belém representou a opção mais vantajosa para Aracaju, em comparação a alternativas como a locação ou a realização de uma licitação própria. A legislação de licitações exige estudos técnicos detalhados para justificar tais escolhas, especialmente em contratações de grande vulto e para serviços essenciais como o transporte público.
Adicionalmente, o MPC-SE apontou que existem registros de preços para modelos de ônibus idênticos, praticados por outros órgãos, em valores inferiores, sem que as discrepâncias tenham sido adequadamente explicadas durante a análise do processo. A decisão do TCM-PA sobre o sobrepreço na contratação de Belém é um fator determinante para o MPC-SE, que considera que essa informação deveria ter sido pesada antes do arquivamento do caso em Aracaju.
## Próximos Passos e Garantia do Interesse Público
Com o recurso, o MPC-SE busca a reabertura da instrução processual no TCE. O objetivo é que o Tribunal possa analisar a contratação com um conjunto completo de informações, o que poderá levar, dependendo do que for apurado, à responsabilização dos gestores envolvidos. O recurso será agora distribuído a um novo relator e submetido a julgamento pelo Pleno do TCE, que detém a decisão final sobre a matéria. Este é um procedimento legal para o MPC-SE, que atua na defesa da ordem jurídica e na fiscalização da boa aplicação dos recursos públicos, assegurando que contratações de grande impacto social e financeiro sejam examinadas com o rigor necessário.
A Prefeitura de Aracaju informou que, até o momento, não havia sido notificada sobre a ação movida pelo Ministério Público de Contas de Sergipe.