Milei em convenção de Flávio Bolsonaro: governo Lula reage a falas sobre Brasil

Javier Milei participará de convenção do PL em SP; governo Lula monitora falas do argentino sobre eleições brasileiras. Flávio Bolsonaro busca vice e enfrenta indefinição na chapa.

Milei em convenção de Flávio Bolsonaro: governo Lula reage a falas sobre Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou que não vê impedimentos na participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do Partido Liberal (PL). O evento, que ocorre em São Paulo neste sábado, tem como objetivo oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Fontes governamentais indicam que, embora a presença de Milei não seja um problema, o Palácio do Planalto está preparado para responder a quaisquer declarações feitas pelo líder argentino que abordem questões internas brasileiras, como o funcionamento das urnas eletrônicas e o processo eleitoral, ou que contenham comentários sobre o próprio presidente Lula.

A embaixada argentina informou ao Brasil sobre a visita de Milei ao evento do PL. No entanto, não houve solicitação de encontro com autoridades do governo brasileiro.

## Flávio Bolsonaro enfrenta indefinição na escolha de vice

A convenção de Flávio Bolsonaro ocorre em meio a uma indefinição sobre a escolha de seu candidato a vice-presidente. Essa situação está diretamente atrelada às negociações em curso para expandir a base de apoio da campanha. O senador tem como objetivo designar uma mulher para a vaga de vice, visando aumentar sua aceitação junto ao eleitorado feminino, segmento onde apresenta menor penetração.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que atuou como ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro, recusou o convite para compor a chapa. Ela informou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que pretende se candidatar à presidência do Senado Federal em 2027, avaliando que uma campanha presidencial poderia inviabilizar essa ambição.

Adicionalmente, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, comunicou a Flávio Bolsonaro que a federação formada por PP e União Brasil optará pela neutralidade na eleição presidencial, tanto no primeiro quanto, potencialmente, no segundo turno.

## Federação PP-União Brasil adota neutralidade e teme acusações

A decisão da federação PP-União Brasil de manter neutralidade visa liberar seus correligionários para firmarem alianças estaduais. Essas alianças podem variar, com apoio a candidatos de direita em alguns estados e, em outros, a aliados do presidente Lula.

A relutância das legendas em apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro também se deve ao receio de novas acusações envolvendo ligações do pré-candidato do PL com o banqueiro Daniel Vorcaro. A campanha ainda buscará, até o prazo final de 5 de agosto, anunciar o vice, na expectativa de uma melhora nas intenções de voto.

O governo Lula atuou ativamente junto a líderes da federação PP-União Brasil para que adotassem a neutralidade, especialmente no primeiro turno. O ministro da articulação política, José Guimarães, e o presidente do PT, Edinho Silva, foram os responsáveis por conduzir as negociações. O próprio presidente Lula também dialogou com lideranças dos partidos, que anteriormente possuíam ministros em sua gestão, buscando evitar o apoio a Flávio Bolsonaro.