Mato Grosso pede ao STF nova audiência sobre divisa com Pará

Mato Grosso, via Assembleia Legislativa, pede ao STF nova audiência para discutir divisa com Pará, focando em serviços de saúde e segurança para moradores.

Mato Grosso pede ao STF nova audiência sobre divisa com Pará

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) protocolou, em 16 de julho, um pedido formal ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a realização de uma nova audiência de conciliação para discutir a divisa territorial com o estado do Pará. A iniciativa, liderada pelo deputado Max Russi, visa mitigar os prejuízos enfrentados pelos municípios mato-grossenses que continuam a arcar com despesas de saúde e segurança para a população localizada na área em disputa.

A petição reforça a atuação da ALMT após a primeira rodada de negociações e busca evitar que o acordo se fragmente, o que poderia deixar os residentes desassistidos durante o processo de transição. O impasse central reside na divergência sobre como lidar com os serviços públicos e os custos associados.

## Impasse e Exigências da ALMT

Na primeira audiência mediada pelo STF, foi concedido um prazo de 30 dias para que Mato Grosso apresentasse propostas complementares de gestão da área. Enquanto o eixo da regularização fundiária avançou com a entrega de documentações técnicas e títulos de propriedade pelas prefeituras, a gestão dos serviços públicos se tornou um ponto de atrito. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) solicitou a ampliação do prazo para calcular o ressarcimento de despesas e organizar a prestação compartilhada de serviços como saúde e transporte. No entanto, o Estado do Pará se opôs a essa prorrogação, argumentando que o STF deveria focar apenas na questão fundiária, deixando os aspectos sociais e operacionais para serem resolvidos administrativamente, fora da supervisão judicial.

Em resposta, a ALMT alertou que a exclusão dos temas sociais da conciliação supervisionada pelo Supremo representa um risco significativo para a população local. Para impedir que os moradores fiquem em um "limbo" administrativo, o Legislativo mato-grossense apresentou exigências formais à Corte. Dentre elas, está a comprovação de que o Pará possui condições financeiras e estruturais para assumir imediatamente os serviços públicos na região, substituindo o atendimento atualmente custeado por Mato Grosso. A ALMT também demanda a manutenção de todos os eixos de transição sob a tutela do STF, evitando negociações isoladas. Como pedido subsidiário, caso o STF decida não abranger todos os temas na conciliação, a ALMT requer que o Supremo julgue integralmente o mérito dos embargos de declaração apresentados por Mato Grosso, buscando uma solução definitiva para os serviços essenciais.

## Histórico da Disputa Territorial

A disputa judicial abrange uma faixa de aproximadamente 22 mil km² na região conhecida como Cachoeira das Sete Quedas. Embora o STF já tenha reconhecido que o território pertence ao Pará, incluindo áreas de municípios como Jacareacanga e Novo Progresso, a realidade prática na fronteira difere da delimitação oficial. Milhares de moradores da região dependem historicamente da infraestrutura pública de Mato Grosso devido à proximidade geográfica e logística. Hospitais, escolas, transporte e policiamento continuam sendo custeados pelos municípios mato-grossenses fronteiriços, gerando um desequilíbrio financeiro que o estado busca solucionar através do STF.