Marine Le Pen confirma candidatura à presidência da França em 2027

Marine Le Pen confirma candidatura à presidência da França em 2027, apesar de condenação por desvio de verbas e pena de prisão domiciliar. Decisão judicial reduz inelegibilidade, permitindo disputa.

Marine Le Pen confirma candidatura à presidência da França em 2027

A proeminente figura da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, confirmou sua intenção de concorrer à presidência em 2027. A declaração surge após uma decisão judicial que, embora a condene por desvio de recursos do Parlamento Europeu e a obrigue a cumprir um ano de prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, reduziu sua pena de inelegibilidade, permitindo sua participação na corrida eleitoral.

Em entrevista à emissora TF1, Le Pen anunciou que a campanha presidencial será iniciada "muito rapidamente", ao lado de Jordan Bardella, atual presidente do partido Reagrupamento Nacional (RN). Ela enfatizou a união da dupla para "convencer os franceses de que o que vivem hoje não é uma fatalidade", buscando apresentar uma alternativa ao cenário político atual.

## Detalhes da Condenação

A nova sentença judicial determina uma pena de três anos de prisão, sendo dois em regime suspenso e um a ser cumprido em casa com o uso de tornozeleira eletrônica. Além disso, Le Pen foi multada em € 100 mil (aproximadamente R$ 589 mil), e o partido RN foi condenado a pagar € 2 milhões (cerca de R$ 11 milhões), com metade em pena suspensa. A condenação original, de março de 2025, referia-se a um esquema de desvio de € 1,4 milhão em verbas da União Europeia entre 2004 e 2016, destinadas a remunerar funcionários do partido na França.

Le Pen, que negou as irregularidades e classificou o processo como uma "caça às bruxas", admitiu em julgamento de recurso que alguns funcionários pagos com verbas europeias haviam trabalhado para o partido, mas alegou "boa-fé". Os promotores, no entanto, sustentaram que ela "profissionalizou" um esquema iniciado por seu pai, Jean-Marie Le Pen.

## Contexto Eleitoral e Plano B

A decisão judicial ocorre em um momento estratégico, com Le Pen figurando entre as favoritas para a eleição presidencial. Ela já participou de três pleitos anteriores, chegando ao segundo turno em 2017 e 2022, quando foi derrotada por Emmanuel Macron. A ausência de Macron, impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, abre uma janela de oportunidade significativa para o RN.

Caso Le Pen venha a ser impedida de concorrer, Jordan Bardella, de 30 anos, é apontado como o plano alternativo do partido. Ele assumiu a liderança do RN em 2022 e tem sido visto como um sucessor em potencial, com apoio declarado a Le Pen. Aliados sugerem que, mesmo que não seja a candidata principal, Le Pen poderia atuar como conselheira-chefe de Bardella em uma eventual campanha, demonstrando a força e a continuidade do projeto político do partido.