Lula evita viagens a estados com disputas políticas internas
Lula adia visitas a estados como Pernambuco, Paraíba e Maranhão para evitar conflitos entre aliados em disputas eleitorais internas, optando por manifestações remotas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem adotado uma estratégia de cautela em sua agenda de viagens, priorizando estados onde não há risco de conflitos entre aliados que disputam seu apoio. A recente aproximação com o governo interino do Rio de Janeiro contrasta com a evitação de locais como Pernambuco, Maranhão e Paraíba, onde a possibilidade de "palanques duplos" ou múltiplos tem levado o presidente a preferir manifestações remotas.
## Disputas em Pernambuco e Paraíba
Em Pernambuco, Lula chegou a gravar um vídeo em junho declarando apoio ao ex-prefeito João Campos (PSB) para a eleição estadual. No entanto, sua ausência física no estado foi notada, especialmente após o PSB manifestar desconforto com a articulação de um palanque que pudesse incluir tanto Campos quanto a atual governadora Raquel Lyra (PSD), sua adversária na disputa pelo governo. A única visita do presidente ao estado neste ano ocorreu durante o carnaval, quando posou para fotos com ambas as lideranças políticas. A declaração de apoio de Lula a Campos foi reforçada após uma entrevista do ministro Wellington Dias (PT) indicar a possibilidade de múltiplos palanques em Pernambuco, o que gerou reclamações por parte do PSB.
Na Paraíba, a situação é semelhante e envolve a presidência da Câmara dos Deputados, comandada por Arthur Lira (PP-AL), e seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), que busca apoio do Planalto para concorrer ao Senado. A aliança política local de Lula já inclui o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e o ex-governador João Azevêdo (PSB), ambos pré-candidatos ao mesmo cargo. O incômodo de Lira com um vídeo de apoio de Lula a Veneziano levou o presidente a se manifestar remotamente, sem comparecer pessoalmente ao estado.
## Alianças complexas no Maranhão
O Maranhão também se apresenta como um desafio para a agenda presidencial. O vice-governador Felipe Camarão (PT) compete pelo apoio de Lula com o atual governador Carlos Brandão, que apoia a candidatura de seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), para sucedê-lo. Camarão conta com o suporte de aliados do ministro do STF Flávio Dino, ex-governador do estado, que rompeu com Brandão. Adicionalmente, uma corrente dentro do PT tem sinalizado apoio à pré-candidatura de Eduardo Braide (PSD), criando a perspectiva de um cenário de "palanque triplo" para o presidente no estado. Diante dessas complexidades, a presença física de Lula em tais localidades tem sido evitada, com manifestações ocorrendo por meio de vídeos e declarações à distância.