Lula enfrenta impasse em Minas Gerais para definir alianças eleitorais

Lula enfrenta dilema em Minas Gerais para definir candidatura ao governo. Após desistências, PT avalia plano C com Patrus Ananias, aliança externa ou candidatura própria.

Lula enfrenta impasse em Minas Gerais para definir alianças eleitorais

A disputa eleitoral em Minas Gerais se tornou um dos principais desafios estratégicos para o Partido dos Trabalhadores (PT) e para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) — o chamado 'plano A' — e a confirmação da pré-candidatura da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), ao Senado, o PT busca agora alternativas para construir um palanque competitivo no estado.

Diante do cenário, interlocutores afirmam que o presidente Lula está avaliando diferentes cenários. Uma das possibilidades é insistir em uma candidatura própria para o governo, mesmo sem um nome considerado de alta competitividade. Outra via em discussão é o apoio a um aliado de fora do PT, estratégia que ganhou força devido à resistência de Marília Campos e às dificuldades em encontrar um petista capaz de unificar o partido e ampliar o alcance eleitoral.

## O 'Plano C' e outras alternativas

O deputado federal Patrus Ananias (PT) surge como uma opção para o 'plano C', sendo citado por aliados como uma possibilidade para liderar a chapa do partido. Com trajetória consolidada como ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro, Ananias é visto como um nome experiente. No entanto, relatos indicam que essa alternativa não gera grande entusiasmo no entorno de Lula, que prossegue na análise de outras opções.

Outros nomes foram considerados e descartados ou ganharam força nas últimas semanas. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que chegou a ser cogitado anteriormente, está fora das conversas após manifestar descontentamento com o distanciamento da direção petista. Por outro lado, o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), tem ganhado espaço. Ele é visto por membros do PT como tendo melhores condições eleitorais que os petistas disponíveis, apesar de enfrentar resistência por ter apoiado o impeachment de Dilma Rousseff.

## Debate sobre candidatura própria

O ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior (PSB) também foi levado à mesa de discussões, com diferentes configurações de chapa em pauta, inclusive para a disputa pelo Senado. A incerteza em torno da definição para o governo tem reacendido um debate interno no PT sobre a conveniência de lançar uma candidatura própria. Embora a direção mineira tenha aprovado essa estratégia, cresce a avaliação entre dirigentes de que uma aliança com um nome de outro partido poderia oferecer um palanque mais robusto a Lula em Minas Gerais, estado considerado crucial para o resultado da eleição presidencial.

A expectativa é que o presidente Lula tome uma decisão sobre o futuro político em Minas Gerais nos próximos dias, buscando desatar o nó que se formou em torno da estratégia eleitoral do PT no estado.