Lula critica Ortega e defende eleições livres na Nicarágua
Governo Lula critica declaração de Daniel Ortega sobre fim das eleições na Nicarágua, reafirmando compromisso com a democracia e o direito ao voto.

O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou "preocupação" com as recentes declarações do ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, que afirmou que o país "não voltará a ter eleições". A posição oficial do Itamaraty foi divulgada em nota nesta quinta-feira (23), após Ortega ter feito a declaração polêmica durante a celebração do 47º aniversário da Revolução Sandinista, no último domingo.
## Defesa da Democracia e do Direito ao Voto
Em seu comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil enfatizou a importância da democracia, lembrando que "a realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia". O governo brasileiro "conclama as autoridades do país" a assegurarem ao povo nicaraguense o "livre exercício do direito soberano de escolha dos seus governantes". A fala de Ortega, que governa a Nicarágua há quase duas décadas, ocorreu após um período de menor aparição pública e em referência ao que ele chama de "partidos políticos criados pelos ianques". Três dias após a declaração, a Assembleia Nacional nicaraguense, controlada por apoiadores de Ortega, iniciou análises para um plano de trabalho alinhado às orientações presidenciais, em um cenário onde a separação de poderes é considerada simbólica. Reformas anteriores, como a que permitiu a reeleição indefinida em 2014, já haviam sido aprovadas pela Assembleia e avalizadas pela Suprema Corte.
## Relações Bilaterais Abruptas
As relações entre Brasil e Nicarágua, que já foram mais próximas, se deterioraram nos últimos anos. Lula, em declaração anterior à Presidência em 2021, havia aconselhado Ortega a "não abrir mão" da democracia. A tensão aumentou com a prisão de opositores e líderes religiosos na Nicarágua. O governo brasileiro chegou a congelar as atividades da embaixada em Manágua e, em resposta à ausência de representantes brasileiros em um evento sandinista, Ortega expulsou o embaixador brasileiro, uma medida que foi retaliada por Brasília. O ditador nicaraguense, por sua vez, já proferiu críticas ao presidente brasileiro, chamando-o de "puxa-saco", e também criticou a postura de Lula em relação ao processo eleitoral venezuelano, que o governo brasileiro não reconheceu a vitória de Nicolás Maduro.