Jurista alerta para "oligarquia cupim" que corrói a democracia brasileira
Jurista Joaquim Falcão alerta que união dos Três Poderes no Brasil forma uma "oligarquia cupim" que corrói a democracia por dentro, usando estratégias intangíveis para minar o sistema.

O jurista e membro da Academia Brasileira de Letras, Joaquim Falcão, expressou profunda preocupação com o estado atual da democracia no Brasil, alertando para uma união entre os Três Poderes que, segundo ele, levou ao esvaziamento da separação institucional e do sistema de freios e contrapesos.
## O Fenômeno da "Oligarquia Cupim"
Em entrevista ao WW Especial, Falcão diagnosticou o cenário político brasileiro como a emergência de uma "oligarquia cupim". Tradicionalmente, oligarquias se formam por grupos externos que se apropriam do Estado para controlá-lo de fora. Contudo, o jurista observa um fenômeno inverso no país: a oligarquia estaria se originando de dentro das próprias instituições que deveriam atuar como fiscalizadoras umas das outras. Essa dinâmica, conforme explica, caracteriza um "devorar" interno das estruturas democráticas, sem a necessidade de uma apropriação externa e ostensiva.
## Novas Armas da Democracia
Joaquim Falcão argumenta que a queda de democracias contemporâneas não se dá mais por confrontos explícitos, como golpes militares históricos. As "novas armas" para minar a democracia são, em sua maioria, intangíveis e menos perceptíveis. Uma estratégia central nesse processo é o controle da pauta — definir o que será discutido, quando e por quem. Essa disputa pelo controle narrativo e temático é descrita pelo jurista como uma poderosa "estratégia de poder" que fragiliza os mecanismos de controle e equilíbrio democrático.