Japão Cria Plano para Segunda Capital em Caso de Desastre em Tóquio
Japão aprova plano para criar uma segunda capital, visando descentralizar poder e economia e garantir continuidade em desastres. Osaka é a principal candidata, mas enfrenta desafios de migração empresarial.

O parlamento japonês aprovou um plano ambicioso para estabelecer uma "segunda capital" no país. O objetivo principal é garantir a continuidade das operações governamentais e econômicas em caso de um desastre de grande magnitude que afete Tóquio, a atual metrópole centralizadora de poder e atividades.
## Descentralização e Candidatos
A nova legislação prevê a transferência de funções governamentais e a oferta de incentivos fiscais para desenvolver um novo polo econômico. A província de Osaka surge como a principal candidata a sediar essa nova capital. Osaka é a segunda maior economia do Japão, com um PIB nominal de aproximadamente US$ 266 bilhões em 2022, e conta com infraestrutura importante como o Aeroporto Internacional de Kansai e a linha de trem-bala Shinkansen.
Apesar do potencial, dados recentes indicam uma tendência de saída de empresas da província, com um saldo migratório empresarial negativo pelo 44º ano consecutivo, sendo Tóquio o destino de uma parcela significativa dessas empresas. Especialistas apontam que a facilidade de comunicação e transporte, impulsionada pela expansão da internet e ferrovias, pode ter reduzido as barreiras geográficas, favorecendo a concentração em Tóquio.
## Desafios e Incentivos
O plano inclui a oferta de incentivos fiscais para atrair empresas para a futura segunda capital e a transferência de órgãos governamentais. No entanto, há ceticismo quanto à eficácia desses incentivos, com projeções de que o avanço da inteligência artificial possa diminuir a necessidade de múltiplas sedes físicas, reforçando a concentração em Tóquio. Outros acadêmicos defendem a descentralização como crucial para a resiliência nacional, argumentando que o colapso regional poderia afetar a própria capital, dada a interdependência de cadeias produtivas e recursos naturais.
A escolha final da segunda capital ficará a cargo da primeira-ministra Sanae Takaichi. As prefeituras interessadas deverão obter aprovação de suas assembleias legislativas e comprovar capacidade para abrigar órgãos governamentais, além de atender a critérios de população, dimensão econômica e estrutura administrativa. A província de Fukuoka e a cidade de Nagoya também apresentaram seus argumentos, destacando a baixa probabilidade de ambos serem atingidos por desastres simultaneamente e a força industrial da região, respectivamente. A competição entre governos locais, segundo ex-governadores, pode estimular investimentos e crescimento, desde que acompanhada por reformas regulatórias e melhorias na qualidade de vida.