Japão aprova reforma na sucessão imperial, mas mulheres ficam fora do trono

Japão aprova reforma na lei de sucessão imperial, permitindo adoção de homens distantes, mas mantém mulheres fora do trono. Medida visa garantir continuidade da Casa Imperial diante da falta de herdeiros diretos.

Japão aprova reforma na sucessão imperial, mas mulheres ficam fora do trono

O Parlamento japonês aprovou nesta sexta-feira (17) uma significativa reforma na lei de sucessão imperial, com o objetivo de garantir a continuidade da Casa Imperial. Apesar de pesquisas de opinião indicarem amplo apoio popular à ascensão feminina, a legislação mantém a proibição de que uma mulher se torne imperatriz.

## Novas Regras para a Casa Imperial

A principal mudança aprovada pela Câmara Alta japonesa permite a adoção de parentes masculinos distantes com mais de 15 anos para reintegrar a família imperial, desde que sejam solteiros. Essa medida visa suprir a falta de herdeiros diretos. A reforma também autoriza que as mulheres mantenham seu status real após se casarem com um plebeu, equiparando-as aos homens nesse aspecto.

## A Linha de Sucessão em Risco

O futuro da monarquia japonesa está atualmente focado no Príncipe Hisahito, de 19 anos, sobrinho do Imperador Naruhito. Caso ele não tenha um filho, a linha de sucessão poderá se extinguir, segundo as regras vigentes. A popular Princesa Aiko, filha do Imperador Naruhito, e as irmãs mais velhas de Hisahito, que poderiam assumir o trono sob uma linhagem feminina, ficam de fora devido à manutenção da tradição masculina.

## Críticas e Debates Internos

A reforma gerou debates internos e críticas. Parlamentares conservadores, como Sanae Takaichi, se opõem à sucessão feminina. Seiichiro Murakami, do Partido Liberal Democrático (PLD), classificou como "absolutamente ultrajante" a exclusão da Princesa Aiko. Por outro lado, ex-membros da família imperial, como Asahiro Kuni, expressaram ceticismo sobre a adaptação de parentes distantes à vida na realeza, considerando a dificuldade de reintegração após a Segunda Guerra Mundial.

## Apoio Popular à Sucessão Feminina

Uma pesquisa realizada pelo jornal Asahi Shimbun em maio revelou que 72% dos entrevistados apoiam a mudança das regras para permitir que mulheres ascendam ao trono. Atualmente, a Casa Imperial conta com 16 membros, sendo cinco homens na linha de sucessão.