Japão altera regras de sucessão imperial, mas mantém proibição de imperatriz
Japão aprova mudanças na sucessão imperial, permitindo adoção de homens distantes, mas mantém proibição de mulheres no trono, apesar de apoio popular.

O Parlamento japonês aprovou uma reforma na lei de sucessão imperial, mantendo, no entanto, a proibição de que uma mulher ascenda ao trono como imperatriz. A decisão ocorre mesmo com pesquisas indicando amplo apoio popular para a mudança.
## Linha Sucessória em Risco
A Casa Imperial japonesa, que segundo a lenda descende da deusa do sol Amaterasu, enfrenta um futuro incerto. A linha de sucessão recai atualmente sobre o príncipe Hisahito, de 19 anos, sobrinho do imperador Naruhito. Caso Hisahito não tenha um herdeiro homem, a linhagem corre o risco de ser extinta, conforme as regras atuais.
A nova legislação, aprovada por maioria expressiva na Câmara, busca mitigar esse risco. Ela autoriza a adoção de parentes masculinos distantes, maiores de 15 anos e solteiros, para que reingressarem na família imperial. As mulheres, por sua vez, terão permissão para manter seu status real mesmo após casarem com plebeus, uma prerrogativa já concedida aos homens.
## Tradição Conservadora Prevalece
A Lei da Casa Imperial, em vigor desde 1947, estabelece que o direito ao Trono do Crisântemo é exclusivamente masculino. Essa norma fundamental não foi modificada pela recente reforma, descartando a possibilidade de que a princesa Aiko, filha do imperador Naruhito, ou as irmãs de Hisahito, possam um dia reinar.
A reforma foi resultado de intensos debates internos, especialmente dentro do partido conservador, que tradicionalmente se opõe à sucessão feminina. Críticos apontam a dificuldade de adaptação de parentes masculinos distantes à vida na família imperial, como expressou um ex-membro da realeza.
A família imperial japonesa conta atualmente com 16 membros, sendo cinco homens. Uma pesquisa de maio deste ano revelou que 72% dos japoneses entrevistados se mostravam favoráveis à permissão de mulheres no trono.