Itamaraty nega visto a diplomatas americanos que viriam discutir eleições
Itamaraty nega vistos a diplomatas americanos que viriam ao Brasil para discutir eleições, alegando risco de questionamento do sistema eleitoral. EUA negam intenção política.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, negou a concessão de vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os pedidos, feitos na segunda-feira (20), eram para que os americanos Riley Bernes e Samuel Samson viessem ao Brasil entre os dias 27 e 30 de julho. A justificativa oficial apresentada pelos EUA era a de realizar contatos eleitorais e promover discussões sobre liberdade de expressão.
No entanto, o Itamaraty alegou, na sexta-feira (24), que detectou movimentos com potencial para uso político da visita, com iniciativas que poderiam questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro. Diplomatas brasileiros descreveram a ação como uma "manobra" incompatível com a democracia.
Segundo o jornal "Washington Post", que revelou os planos, o governo de Donald Trump pretendia enviar os funcionários para levantar dúvidas sobre a integridade das urnas eletrônicas. Autoridades americanas e brasileiras não identificadas confirmaram a informação ao jornal.
Um porta-voz do Departamento de Estado americano negou as insinuações, classificando-as como "mentira sem fundamento", e afirmou que os objetivos da visita eram discutir a integridade das eleições, a liberdade religiosa e de expressão.
A negativa do visto ocorre na mesma semana em que Flávio Bolsonaro (PL) pediu a representantes diplomáticos estrangeiros o envio de observadores internacionais ao Brasil, levantando suspeitas sobre as urnas eletrônicas com base em informações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2017. O TSE informou que a Embaixada dos Estados Unidos procurou seu setor internacional, mas não detalhou a temática da agenda.
O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, agendou para 17 de agosto uma reunião com embaixadores em Brasília para explicar o funcionamento das urnas eletrônicas, com convite a todos os países representados no Brasil, incluindo os Estados Unidos.