Inquérito investiga corrupção e lavagem em financiamento de filme sobre Bolsonaro
Inquérito no STF investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro em repasses de ex-banqueiro para filme sobre Bolsonaro, mirando Flávio e Eduardo. PL nega ilegalidades.

Um inquérito foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar suspeitas de crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção relacionados ao financiamento do filme "Dark Horse", que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração, solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizada pelo ministro André Mendonça, visa identificar se houve favorecimento ao Banco Master em emendas parlamentares destinadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência. A investigação também inclui o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), o publicitário Thiago Miranda e sócios de fundos de investimento brasileiros e estrangeiros.
## Detalhes da Investigação
Os indícios para a abertura do inquérito surgiram a partir de conversas divulgadas em maio, nas quais Flávio Bolsonaro teria pedido recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, para financiar a produção cinematográfica. O ex-banqueiro chegou a repassar cerca de R$ 61 milhões para o filme. A Polícia Federal (PF) busca determinar a motivação real desses repasses, avaliando se o dinheiro foi destinado exclusivamente à produção ou se envolveu transações irregulares. Além disso, a PF irá analisar emendas parlamentares de Flávio Bolsonaro para verificar qualquer possível favorecimento ao Banco Master.
## Reações e Implicações Políticas
O Partido Liberal (PL) expressou preocupação com os desdobramentos do inquérito, temendo que ele possa impactar negativamente a campanha eleitoral e dificultar a formação de alianças com o Centrão. Apesar de negar qualquer ilegalidade, a legenda reconhece o desgaste na imagem do senador. Por outro lado, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem aproveitado o caso para reforçar ataques a Flávio Bolsonaro, explorando sua ligação com o Banco Master e questionando publicamente a origem dos recursos. O coordenador da campanha do PL, Rogério Marinho, afirmou que o inquérito comprovará a ausência de ilícitos. Flávio Bolsonaro, em suas declarações, tem minimizado a relação com Vorcaro, classificando-a como "conversas privadas" e negando novas informações sobre o caso. Ele também criticou a investigação, sugerindo perseguição e atmosfera de desconfiança. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, já havia classificado como "tosca" a suspeita anterior da PF sobre recursos para sua permanência nos Estados Unidos, alegando ter explicado a origem de seus fundos às autoridades americanas.