India: Policia reprime protesto de jovens contra falhas educacionais

Protesto do movimento 'das baratas' na Índia contra falhas educacionais é reprimido pela polícia em Nova Délhi. Governo inicia negociações enquanto milhares de jovens exigem renúncia de ministros.

India: Policia reprime protesto de jovens contra falhas educacionais

A polícia indiana reprimiu com cassetetes manifestantes do movimento juvenil 'das baratas' (Cockroach Janta Party - CJP) nesta segunda-feira (20), quando o grupo tentou marchar em direção ao Parlamento, em Nova Délhi. As autoridades haviam negado autorização para o protesto, que visa denunciar vazamentos de provas e falhas graves no sistema educacional do país.

## Confronto e Negociações

Apesar da proibição, milhares de apoiadores do CJP se reuniram no centro de Nova Délhi, entoando palavras de ordem contra o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, e o primeiro-ministro Narendra Modi. Imagens de televisão mostraram policiais utilizando a força em áreas com barreiras de segurança, embora a polícia tenha negado o uso excessivo de violência, afirmando que a manifestação estava sendo conduzida de forma profissional. As autoridades alegaram que o local do protesto já atingiu sua capacidade máxima, com cerca de 10 mil pessoas presentes, elevando o risco de confrontos.

Em meio à tensão, o governo indiano iniciou negociações com os líderes do movimento. Dois integrantes do CJP estavam a caminho de uma reunião com um ministro sênior do gabinete de Modi, conforme anunciado pelo principal porta-voz do partido, Saurav Das. "Nossas reivindicações são claras. A juventude se reuniu em grande número", declarou Das, indicando uma abertura para o diálogo apesar do atraso na abordagem governamental.

## Origem e Reivindicações do Movimento

O CJP ganhou força nos últimos meses, tornando-se um dos maiores desafios populares ao terceiro mandato de Narendra Modi. O movimento explodiu nas redes sociais, acumulando 22 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias. A insatisfação popular foi amplificada pela decisão policial de remover à força o ativista Sonam Wangchuk, que realizava greve de fome, para um hospital no sábado.

As manifestações têm como estopim o vazamento, em maio, das provas do exame nacional de admissão às faculdades de medicina, que afetou mais de 2 milhões de estudantes. Estudantes como Adi Nathan, de 21 anos, e Mohammed Tabrez, de 22 anos, expressaram indignação com a corrupção e as fraudes no sistema. "Todos esses líderes que estão no poder são analfabetos, e estou aqui para protestar porque não queremos mais vazamentos de provas", disse Nathan. Tabrez acrescentou: "Queremos que essa corrupção acabe. Queremos o fim de todas as fraudes envolvendo vazamentos de provas e concursos".

O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, e seus apoiadores exigem a renúncia do ministro da Educação. Wangchuk, em nota manuscrita do hospital, estabeleceu condições para encerrar sua greve de fome: o governo deve assumir responsabilidade pelas falhas educacionais e vazamentos, ou os manifestantes devem ter permissão para chegar ao Parlamento e receber garantias de que as questões serão tratadas.