Hungria Inicia 'Desorbanização' Após 16 Anos de Governo
Hungria inicia 'desorbanização' após 16 anos de Viktor Orbán. Novo governo foca em democracia, combate à corrupção e restauração de direitos.

A Hungria deu início a um ambicioso processo de "desorbanização" após 16 anos sob o comando de Viktor Orbán. A iniciativa visa desfazer o controle exercido pelo ex-premier sobre as instituições estatais, promovendo uma reestruturação democrática no país. A mudança de rumo foi simbolizada por um pedido de desculpas da principal TV pública, que admitiu: "a mídia pública não pode mentir".
## Fim do Orbanismo
Desde sua ascensão ao poder em 2010, Orbán, um dos principais nomes da extrema direita global, transformou o Estado húngaro em uma extensão de seu partido, o Fidesz. A imprensa estatal, universidades, empresas públicas e os poderes de governo foram moldados para reproduzir seu discurso e manter seu controle. Críticos apontam que suas ações visavam ao enfraquecimento deliberado do Estado de Direito e dos mecanismos de freios e contrapesos, com a nomeação de aliados para posições-chave em instituições supostamente independentes.
A mudança de cenário ocorreu em 2024, com a vitória da oposição liderada por Péter Magyar nas eleições para o Parlamento Europeu, impulsionada pelo cansaço popular com o "orbanismo" e promessas de reforma. Magyar, após a posse em maio, declarou um mandato popular para "pôr fim a décadas de deriva" e "abrir um novo capítulo" na história húngara, buscando não apenas mudar o governo, mas o sistema.
## Reformas e Novos Rumos
Com ampla maioria na Assembleia Nacional, o novo governo húngaro começou a implementar medidas focadas no fortalecimento do combate à corrupção e na limitação de poderes. Um dos alvos foram as "Kevkas", fundações de gestão de ativos de interesse público que, sob Orbán, gerenciavam universidades e instituições culturais. Estas fundações eram frequentemente apontadas como mecanismos de desvio de verbas e controle sobre a produção acadêmica e cultural.
As autoridades anticorrupção tiveram seus poderes ampliados, e as regras de transparência no serviço público foram fortalecidas. Em uma guinada significativa, a Hungria cancelou a saída do Tribunal Penal Internacional, encerrou processos contra jornalistas e ativistas LGBT+, e desativou o Escritório de Proteção à Soberania, anteriormente usado para reprimir vozes dissidentes. O estado de emergência, que permitia governar por decreto, foi encerrado, e o país voltou a uma postura considerada "normalidade democrática".
No cenário internacional, a Hungria adotou uma postura pró-Ucrânia, reabrindo as portas para a adesão de Kiev ao bloco europeu. O comando dos meios de comunicação públicos foi entregue a jornalistas e profissionais experientes, distanciando-se da influência política do governo anterior. A nova administração já sinalizou a intenção de criar uma mídia pública renovada, focada em aspectos profissionais e políticos alinhados aos novos tempos.