Hamas elege novo líder político: Khalil al-Hayya assume comando
Khalil al-Hayya, negociador de cessar-fogo, é o novo líder político do Hamas. Ele substitui Yahya al-Sinwar e ganha destaque em meio a mortes de outros dirigentes do grupo.

O movimento islamista palestino Hamas anunciou nesta segunda-feira (20) a eleição de Khalil al-Hayya como novo chefe de seu gabinete político. Al-Hayya, que já era o principal negociador do grupo nas conversas indiretas de cessar-fogo com Israel, assume a liderança em substituição a Yahya al-Sinwar, morto por forças israelenses em Gaza.
## Ascensão e Perfil de Al-Hayya
Khalil al-Hayya, nascido em 1960 e considerado uma figura moderada dentro do Hamas, é um veterano do movimento fundado em 1987. Com formação em direito islâmico e experiência como deputado, ele sobreviveu a múltiplas tentativas de assassinato, incluindo um ataque em Doha, no Catar, no ano passado, que vitimou um de seus filhos. Sua influência tem crescido à medida que outros líderes de alto escalão, como Ismail Haniyeh e Yahya al-Sinwar, foram mortos em ataques israelenses.
Fontes internas descrevem al-Hayya como um líder com "inteligência e sabedoria", conhecido por seu temperamento "conservador e pragmático". Ele mantém relações com outros grupos como a Jihad Islâmica e o Hezbollah, além de ter laços com países como Catar, Egito, Argélia e Irã, este último principal apoio financeiro e militar do Hamas. Sua atuação em negociações de cessar-fogo e sua participação em iniciativas diplomáticas o consolidaram como uma figura central.
## Contexto e Impacto da Mudança
A eleição de al-Hayya ocorre em um momento de alta tensão na região, com a guerra em Gaza, iniciada após os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, completando meses. O novo líder esteve no centro das negociações para alcançar tréguas e cessar-fogo, mediadas por diversos países. Ele também participou das discussões que levaram à trégua de outubro de 2025, embora combates tenham continuado.
Al-Hayya, que integra um conselho de liderança baseado no Catar, é visto como uma figura influente no exterior. Ele esteve em Teerã em julho de 2024, acompanhando Ismail Haniyeh pouco antes de sua morte. Suas declarações sobre os ataques de 7 de outubro indicam uma visão de que a ação tinha como objetivo uma operação limitada para captura de soldados, visando trocas por prisioneiros palestinos, e que recolocou a questão palestina no centro do debate internacional. Desde os ataques de outubro, estima-se que mais de 73 mil palestinos tenham morrido na ofensiva israelense em Gaza, segundo o Ministério da Saúde do enclave.