Guerra no PL: Eduardo Bolsonaro ataca Zé Trovão com ofensas
Eduardo Bolsonaro critica duramente Zé Trovão, chamando-o de 'bosta' e acusando-o de trair Bolsonaro após Trovão questionar a postura do ex-presidente após a derrota eleitoral de 2022.

A tensão dentro do Partido Liberal (PL) ganhou novos contornos nesta quarta-feira (29) com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) elevando o tom contra o deputado federal Zé Trovão (PL-SC). Em declarações à rede Comunica Brasil, Eduardo chamou Trovão de "bosta" e o acusou de agir de forma contrária aos interesses do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro manifestou discordância com as atitudes de Zé Trovão e indicou que, embora o partido "muito provavelmente não tomará nenhuma atitude", o eleitorado tem o poder de fazê-lo. "Se continuar falando merda, eu tenho mais coisa para falar de Zé Trovão. Mas vou ficar quieto aqui em nome da possibilidade de pacificação", declarou, sugerindo que Trovão não representa os ideais do bolsonarismo ao defender candidaturas de membros da família Bolsonaro.
A escalada da discussão teve início após Zé Trovão afirmar em um podcast que o ex-presidente Jair Bolsonaro cometeu um erro ao não admitir a derrota nas eleições de 2022, classificando-o como "covarde" por não ter "mandado as pessoas para casa". Essas declarações remetem aos apoiadores bolsonaristas que foram posteriormente presos em conexão com os eventos de 8 de janeiro de 2023.
Zé Trovão, contudo, tentou modular suas críticas, defendendo em seguida Jair Bolsonaro e afirmando que ele "vive uma das maiores injustiças de todos os tempos", classificando-o como um "perseguido político". Ele sugeriu que, se Bolsonaro tivesse agido de outra forma após a derrota, não estaria preso. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por diversos crimes, incluindo organização criminosa armada e abolição violenta do Estado de Direito, e cumpre prisão domiciliar humanitária.
Eduardo Bolsonaro já havia rebatido Zé Trovão nas redes sociais anteriormente, questionando como o deputado, após supostamente ter se livrado da prisão e concorrido pelo PL, agora chamava Bolsonaro de covarde. Ele também compartilhou especulações sobre uma suposta promessa de soltura de Trovão feita pelo ministro Alexandre de Moraes, ministro do STF, em troca de apoio.
A polêmica também envolve o apoio de Zé Trovão à campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo, quando o deputado fez o gesto "M", símbolo de Marçal, em um momento em que Bolsonaro apoiava Ricardo Nunes (MDB). Trovão havia declarado em um vídeo que "Zé Trovão é Zé Trovão e Bolsonaro é Bolsonaro", separando suas identidades. A desavença evidencia as fissuras e disputas internas dentro do espectro político alinhado ao ex-presidente.