Guerra na Petrobras: Ministro tenta blindar aliada sob mira do governo
Ministro Alexandre Silveira tenta blindar ouvidora-geral da Petrobras, delegada da PF, que pode ser convocada de volta a Brasília. A executiva é ligada ao ministro e sua permanência gera disputa interna.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, está empenhado em articulações políticas para garantir a permanência de Cristina Bueno Camatta no cargo de ouvidora-geral da Petrobras. A executiva, que é delegada da Polícia Federal (PF) cedida à estatal, está entre os servidores que podem ser convocados de volta a Brasília pelo governo federal, em uma medida que visa fortalecer o combate ao crime organizado e realocar delegados em funções mais alinhadas à atividade-fim da corporação.
Cristina Camatta ocupa a ouvidoria da Petrobras desde 2023, tendo sido indicada com o apoio de Silveira. Sua remuneração na companhia ultrapassa os R$ 80 mil, o dobro do teto salarial para delegados da PF em final de carreira. Ela mantém uma relação próxima com o ministro, tendo sido sua assessora especial em sua pasta. A indicação e sua posterior permanência na Petrobras foram vistas como um movimento estratégico de Silveira em disputas internas na companhia, especialmente contra a CEO Magda Chambriard.
O Ministério da Justiça notificou mais de 50 órgãos, incluindo a Petrobras, sobre a convocação de mais de cem servidores da PF, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal Federal. A petroleira confirmou o recebimento do ofício referente a Cristina Camatta no último dia 24, mas informou que o documento está “sob análise”. O cargo de ouvidor-geral é considerado de alta sensibilidade, pois gerencia canais de compliance, denúncias anônimas, e atua em conformidade com leis de conflito de interesses, anticorrupção, acesso à informação e proteção de dados.
Fontes internas da Petrobras indicam que Cristina Camatta é uma das indicadas de confiança de Silveira, apelidadas de “silveirinhas”, que foram alocadas em posições estratégicas na empresa durante a gestão anterior. A saída de Jean Paul Prates, ex-CEO da estatal, e a nomeação de Magda Chambriard intensificaram as disputas por influência e controle de cargos.
Procurado, Alexandre Silveira negou veementemente estar atuando em lobby para manter Cristina Camatta na Petrobras, afirmando que respeita a governança da companhia e não interfere em sua gestão. No entanto, a confirmação de sua nomeação no Conselho de Administração em agosto de 2025 foi interpretada como uma vitória política para o ministro, após a perda de outros indicados seus em cargos chave.
A movimentação ocorre em um cenário de tensões dentro do governo, com o Ministério da Justiça buscando reestruturar o quadro de delegados federais cedidos, enquanto figuras políticas tentam manter seus indicados em posições estratégicas em estatais. A decisão sobre o futuro de Cristina Camatta na Petrobras pode ter implicações nas relações de poder dentro da companhia e no Ministério de Minas e Energia.