Governadora associa PT a pobreza; partido acusa preconceito
Governadora do DF associa vitórias do PT à pobreza e baixa escolaridade. Partido dos Trabalhadores reage, acusa preconceito e defende seu projeto de inclusão social.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), gerou polêmica ao associar o desempenho eleitoral do PT (Partido dos Trabalhadores) ao nível de escolaridade da população. Em entrevista concedida na sexta-feira (17) à revista Veja, Leão declarou que a legenda "só ganha eleição em estados pobres" e que "onde o nível de escolaridade é maior, onde as pessoas têm mais acesso à educação e mais discernimento, o PT não ganha eleição".
## Reação do PT e Acusações de Preconceito
A declaração provocou forte reação do diretório do PT no Distrito Federal, que emitiu uma nota oficial assinada pelo presidente da legenda na capital, Guilherme Sigmaringa. O partido refutou a afirmação da governadora, defendendo que "o PT governa e já governou estados com diferentes perfis econômicos e sociais porque apresenta um projeto para o Brasil inteiro de inclusão social, redução das desigualdades e dignidade da população".
Segundo o PT, a fala de Celina Leão "alimenta o preconceito, a discriminação e desrespeita a democracia e a vontade do povo brasileiro". O partido acusou a governadora de reduzir o debate político a "estereótipos e preconceitos", contestando a relação direta entre voto e nível de escolaridade. Como contraponto, a legenda citou estados administrados pelo PT como referência em políticas públicas, incluindo a educação, mencionando o Ceará como um exemplo.
## Contexto Político e Eleições Futuras
A manifestação do PT também abordou os desafios enfrentados pelo Distrito Federal, como desigualdade, concentração de renda, insegurança alimentar e problemas na saúde pública, argumentando que estes deveriam ser o foco do debate político. As declarações surgem em um momento de articulação para as eleições de 2026. Celina Leão é pré-candidata à reeleição e busca fortalecer alianças políticas locais. O PT, por sua vez, almeja expandir sua influência na capital federal e planeja lançar uma candidatura própria ao Palácio do Buriti, com o nome de Leandro Grass.
As divergências evidenciam as tensões políticas no Distrito Federal e as estratégias eleitorais em curso, com ambos os lados buscando consolidar suas bases e projetar suas candidaturas para o futuro.