Governador interino do RJ muda tese e se mantém no cargo

Governador interino do RJ, Ricardo Couto, adota nova tese sobre linha sucessória para justificar permanência no cargo. STF aguarda julgamento que definirá futuro do Executivo estadual.

Governador interino do RJ muda tese e se mantém no cargo

O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, passou a apresentar uma nova interpretação sobre a linha sucessória do estado, que justifica sua permanência à frente do Palácio Guanabara por mais de três meses. Inicialmente, Couto defendia que sua interinidade terminaria com a eleição do novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), após a cassação de Rodrigo Bacellar pelo TSE.

Contudo, a tese atual do desembargador sustenta que o cargo de governador deve ser ocupado por quem estava apto no momento em que a vaga se tornou disponível. Essa mudança de entendimento tem sido apresentada em discussões e palestras, e serve como base para sua continuidade no Executivo estadual.

Em nota oficial, o governo do Rio de Janeiro informou que o desembargador "não mudou de opinião" e que ele "exerce a função de chefe do Poder Executivo conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF)". O comunicado ressalta que Couto aguarda o julgamento do STF, que detém o poder de decisão sobre o tema.

A disputa pela definição de quem deve conduzir o estado até a escolha de um novo governador-tampão, que ficará no cargo até o fim do atual mandato em janeiro de 2027, é complexa. O atual presidente da Alerj, Douglas Ruas, eleito em abril deste ano, já solicitou ao STF em duas ocasiões que assuma o governo, argumentando que seu cargo, como presidente da Alerj, precede o de presidente do Tribunal de Justiça na linha sucessória constitucional estadual.

## Decisão do STF e estratégia política

Os ministros Cristiano Zanin e Luiz Fux determinaram a permanência de Couto no cargo, sem, no entanto, apresentar os motivos jurídicos para tal decisão. O tema deve retornar à pauta de julgamento do STF em agosto, com a sessão marcada para definir como será escolhido o governador-tampão. Essa data é estratégica, pois impede que Ruas assuma o Palácio Guanabara antes do primeiro turno das eleições ordinárias em outubro.

O plano do PL, partido de Ruas, seria que o presidente da Alerj, que é pré-candidato ao governo, utilizasse o cargo interino para aumentar sua visibilidade junto ao eleitorado. Essa estratégia seria viável caso a tese inicial de Couto fosse mantida.

## Mudança de discurso

Em março, logo após assumir interinamente, Ricardo Couto declarou em coletiva de imprensa que deixaria o posto assim que a Alerj elegesse um novo presidente. "Pelo regramento legal, eu me coloco numa linha. A partir do instante em que surge um presidente da Alerj, automaticamente eu saio e ele conduz como governador", disse Couto na ocasião. Ele explicou que sua atuação era temporária e que, com a eleição do novo presidente da Alerj, ele retornaria às suas funções exclusivas no Tribunal de Justiça, enquanto o presidente da Alerj assumiria a governadoria e as eleições seriam realizadas.

A situação da Alerj estava indefinida desde dezembro, quando Rodrigo Bacellar foi preso pela primeira vez e afastado do cargo por Alexandre de Moraes, do STF. Bacellar não renunciou, e a Assembleia operava com comando interino até que o TSE cassasse seu mandato em março. Douglas Ruas foi eleito presidente da Alerj em 17 de abril, já com Couto ocupando interinamente o Executivo.