Girão critica aliança da direita com Ciro Gomes: 'Cobra que vai nos picar'
Senador Eduardo Girão critica apoio da direita a Ciro Gomes no Ceará e expõe atritos com Michelle e Flávio Bolsonaro sobre alianças políticas.
O senador Eduardo Girão (Novo), pré-candidato ao governo do Ceará, intensificou as críticas à aproximação de setores da direita cearense com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que se apresenta como adversário político na disputa pelo governo estadual. Girão classificou Ciro Gomes como representante da "esquerda raiz" e alertou que essa aliança pode resultar em traição política no futuro, comparando a situação a uma "cobra que vai nos picar em 2030". As declarações foram feitas durante o Encontro Nacional do Partido Novo, realizado em São Paulo.
## Resistência no Ceará
O senador pediu apoio e orações para construir uma "forte resistência" no Ceará. Sua pré-candidatura conta com o endosso da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que já demonstrou publicamente sua insatisfação com a articulação política. Recentemente, Michelle divulgou um vídeo relatando ter se sentido "desrespeitada" e "maltratada" por Flávio Bolsonaro após discordar de movimentações políticas no Ceará voltadas a apoiar Ciro Gomes. Este episódio expôs um conflito interno significativo dentro do espectro político conservador.
## Conflitos e Alianças
Girão já havia manifestado sua discordância em meados de junho, apontando a "incoerência" de um apoio do PL a Ciro Gomes, argumentando que os partidos Novo e PL frequentemente atuam em conjunto no Congresso Nacional e que o Novo se posiciona como "100% oposição ao PT". A decisão de apoiar Ciro Gomes no Ceará foi anunciada em maio pelo deputado federal André Fernandes, presidente do núcleo local do PL, sob a justificativa de "derrotar a gestão do PT". Fernandes minimizou as diferenças anteriores com Ciro, enfatizando a "coragem de agir" em prol dos cearenses.
## Atritos Familiares
O atrito entre Michelle e Flávio Bolsonaro ganhou destaque após Michelle relatar, em vídeo, que Flávio a tratou com rispidez ao telefone após ela se posicionar contra a aliança com Ciro. Segundo Michelle, Flávio teria dito que ela "não entendia de política" e deveria se afastar das decisões partidárias. Ela também acusou Flávio e seus irmãos, Carlos e Eduardo Bolsonaro, de orquestrarem ataques "de forma coordenada" contra ela nas redes sociais. Em dezembro do ano anterior, Flávio já havia criticado Michelle por suas divergências sobre a articulação no Ceará, chamando-a de "autoritária". Carlos Bolsonaro, por sua vez, afirmou em redes sociais que a aproximação com Ciro foi feita com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo a união partidária.