Geopolítica e Tarifas Podem Moldar Eleições de 2026, Diz Arko

Análise da Arko Advice indica que geopolítica e tarifas comerciais serão cruciais, mas não únicas, na definição das eleições de 2026. Cita politização do Itamaraty e conflitos entre Executivo e Senado.

Geopolítica e Tarifas Podem Moldar Eleições de 2026, Diz Arko

A complexa teia de negociações tarifárias entre Brasil e Estados Unidos, assim como a crescente influência da geopolítica no cenário nacional, não serão fatores isolados na definição das eleições presidenciais de 2026. Essa é a avaliação de Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, em entrevista ao programa WW. Segundo o cientista político, embora a questão tarifária não deva ser o único pilar decisório, ela certamente será um tema explorado intensamente durante a campanha eleitoral, com potencial para impactar a popularidade dos candidatos.

Aragão destaca um fenômeno inédito na história democrática recente do Brasil: a forte penetração de temas internacionais no debate eleitoral. Ele cita como exemplo a repercussão de declarações envolvendo a possibilidade de intervenção militar estrangeira no país, um cenário que, segundo ele, seria impensável em eleições passadas. Essa inserção da geopolítica no escrutínio público pode desestabilizar narrativas construídas por candidatos, forçando-os a navegar em águas desconhecidas.

## O Duplo Gume da Questão Tarifária

A análise da Arko Advice sugere que a questão tarifária pode se tornar um dilema para o eleitorado. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode tentar capitalizar em discursos de soberania nacional, adversários políticos podem argumentar que tal postura prejudica a economia ao inviabilizar acordos comerciais vantajosos. Aragão prevê que ambos os lados podem sair prejudicados, dependendo de como a narrativa for construída e percebida pelo público.

## Politização e Conflitos Institucionais

O cenário político brasileiro também é marcado por uma aparente politização do Itamaraty, que teria adotado um vocabulário incomum e gerado controvérsias em relação a assuntos internacionais. Além disso, Aragão aponta para um conflito latente entre o Poder Executivo e o Senado Federal, exemplificado pela rejeição de indicações importantes para o Supremo Tribunal Federal. Essa falta de diálogo firme entre os poderes pode gerar incertezas e dificultar a aprovação de projetos relevantes, a menos que possuam um claro impacto eleitoral positivo.

Diante desse quadro, a Arko Advice alerta para a possibilidade de um "populismo legislativo", onde o Congresso poderia priorizar a aprovação de medidas com apelo eleitoral para beneficiar candidatos à reeleição. A incerteza sobre a futura composição do Congresso Nacional após as eleições tende a manter esse ambiente volátil, com pouca expectativa de avanço em pautas de longo prazo.