Flávio Bolsonaro pede mais prazo para depor sobre calúnia a Lula
Defesa de Flávio Bolsonaro pede mais prazo para depor em caso de calúnia contra Lula, alegando agenda de pré-campanha e incompatibilidade de horários.

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou à Polícia Federal (PF) um novo prazo para que ele preste depoimento no inquérito que apura acusações de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (16).
Segundo informações, a PF tentou agendar a oitiva dentro do prazo de dez dias estipulado por Moraes, mas enfrentou dificuldades devido à falta de indicação de datas e horários por parte da defesa. A corporação chegou a oferecer a possibilidade de a oitiva ser realizada por videoconferência para facilitar o agendamento.
Diante desse impasse, os advogados de Flávio Bolsonaro pediram que novas datas fossem disponibilizadas com "antecedência razoável". Na petição, a defesa refuta a ideia de que o adiamento seja uma tentativa de atrasar a investigação e atribui o pedido ao curto intervalo concedido e à agenda de pré-campanha do senador, que envolve "inúmeras viagens, deslocamentos e compromissos fixados com grande antecedência". Os advogados sustentam que a prorrogação do depoimento não causará prejuízo ao andamento do inquérito.
O inquérito investiga uma publicação feita pelo senador na rede social X em janeiro de 2026, após a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. Na postagem, Flávio Bolsonaro escreveu que Lula "será delatado" e listou uma série de crimes, como "tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas", o que a PF considera uma atribuição falsa de condutas criminosas ao presidente. A conclusão da PF aponta que não há dúvidas sobre a autoria da publicação.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliou, no entanto, que ouvir Flávio Bolsonaro antes de definir os próximos passos é relevante, especialmente pela possibilidade de retratação, prevista no Código Penal para crimes como calúnia e difamação. A lei permite que o investigado fique isento de pena caso se retrate antes da sentença, podendo a retratação ser feita pelo mesmo canal usado na publicação original.