Flávio Bolsonaro incomoda diplomatas com falas sobre urnas eletrônicas
Flávio Bolsonaro causa polêmica ao espalhar desinformação sobre urnas eletrônicas a diplomatas, gerando preocupação sobre a confiança no sistema eleitoral brasileiro. Ronaldo Caiado critica o senador e associa violência no Nordeste ao PT.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gerou desconforto entre diplomatas estrangeiros ao propagar informações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras em um evento em Brasília. Presentes no encontro, embaixadores avaliaram que as declarações do pré-candidato à Presidência podem lançar uma sombra sobre as eleições futuras no país.
## Declarações e Reações Diplomáticas
Durante o evento, promovido pela consultoria Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, Flávio Bolsonaro afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas na Venezuela teriam a mesma origem das fornecidas ao Brasil, citando um suposto relatório da CIA sobre envolvimento da empresa Smartmatic em fraudes eleitorais venezuelanas. Essa alegação é refutada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que assegura que o Brasil não utiliza urnas fabricadas pela Smartmatic. A Justiça Eleitoral já desmentiu boatos sobre a empresa em 2020, esclarecendo que, embora a Smartmatic tenha fornecido outros serviços ao Brasil, como treinamento, nunca vendeu urnas ou softwares para o sistema eleitoral brasileiro.
Diplomatas ouvidos pela reportagem, sob condição de anonimato, consideraram a fala do senador "inadequada" e "não ideal". Um embaixador ressaltou que não caberia ao pré-candidato fazer comparações entre as situações eleitorais do Brasil e da Venezuela, especialmente após uma apresentação recente do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que reforçou a segurança das urnas eletrônicas brasileiras para representantes de outros países.
## Preocupação com a Democracia e Possíveis Motivações
Outro diplomata expressou preocupação, interpretando a fala de Flávio Bolsonaro sob duas óticas: uma possível defesa da posição de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em relação às eleições de 2022, ou uma tentativa de deslegitimar as próximas eleições presidenciais. Essa segunda hipótese sugere que, em caso de reeleição de Lula, Flávio poderia usar a narrativa de alerta sobre fraudes para questionar o resultado do pleito. Questionar a confiabilidade do sistema de votação brasileiro, na visão desse interlocutor, equivale a questionar a própria democracia, o que seria prejudicial ao país.
Em resposta às repercussões, a campanha de Flávio Bolsonaro divulgou notas afirmando que o senador "não está questionando o sistema de votação brasileiro" e que ele se limitou a relatar fatos públicos, como o relatório da CIA. A campanha também reafirmou a "integral confiança no sistema eleitoral brasileiro" e a importância do estímulo a missões de observação internacional.
## Críticas de Caiado e Associação com o PT
Paralelamente, Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD à Presidência, criticou as declarações de Flávio Bolsonaro, questionando o motivo de insistir em um tema que levou Jair Bolsonaro à inelegibilidade. Caiado sugeriu que Flávio estaria tentando inviabilizar sua própria candidatura ao reabrir um debate já encerrado pela Justiça.
Caiado também aproveitou para associar os altos índices de violência no Nordeste à força eleitoral do presidente Lula na região, citando dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Ele afirmou que as cidades mais violentas do país estão localizadas em "redutos" do PT, sugerindo que a população nordestina estaria "aprisionada pelas facções". O presidenciável do PSD defendeu que a segurança pública seja um tema central no debate eleitoral.