Flávio Bolsonaro em crise impulsiona Lula em pesquisa, mas petista testa limite
Pesquisa Datafolha indica que crises de Flávio Bolsonaro impulsionam Lula, mas petista testa teto de popularidade. Cenário aponta disputa acirrada, especialmente no Sudeste.

A pré-campanha eleitoral deste ano se inicia com o presidente Lula (PT) mantendo uma vantagem sobre seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). Essa dianteira começou a se consolidar após uma série de crises enfrentadas pelo senador, que tem sido afetado por escândalos e dificuldades em sua campanha. As adversidades de Flávio Bolsonaro têm permitido ao petista avançar em segmentos eleitorais estratégicos, como entre eleitores do Sudeste, região onde o bolsonarismo ostentava uma vantagem significativa em eleições passadas, mas que agora apresenta um empate técnico.
## Vulnerabilidades de Flávio Bolsonaro
A sequência de infortúnios na campanha de Flávio Bolsonaro expôs fragilidades cruciais para sua candidatura. O escândalo "Dark Horse" e a revelação de um contrato de seu escritório de advocacia com uma empresa ligada ao Banco Master mantêm o senador em posição defensiva no debate anticorrupção. Além disso, conflitos com Michelle Bolsonaro, apesar de sinais de reconciliação, levantam dúvidas sobre sua capacidade de atrair eleitoras mulheres, um grupo que demonstrou dificuldades na reeleição de Jair Bolsonaro em 2022. O alinhamento com discursos de desconfiança sobre urnas eletrônicas e o posicionamento mais à direita, embora fortaleçam sua base, afastam eleitores do centro, que se mostram determinantes para o resultado final.
## Lula testa seu limite de crescimento
Apesar de capitalizar nas dificuldades de Flávio Bolsonaro e conquistar espaço em segmentos importantes, a candidatura de Lula exibe sinais de estagnação. A avaliação positiva do governo petista permanece em torno de 30% desde o segundo semestre do ano passado, sem apresentar crescimento significativo, mesmo com o uso de propaganda oficial. Na pesquisa Datafolha, Lula enfrenta um duelo acirrado em rejeição com Flávio Bolsonaro: 46% declaram não votar no petista, enquanto 48% afirmam o mesmo sobre o senador do PL. As intenções de voto em Lula também se mantêm no mesmo patamar há meses, indicando que, embora o adversário perca força, o presidente pode ter atingido um teto em seu potencial de crescimento. Essa dinâmica sugere que a disputa, caso chegue ao segundo turno, pode ser mais apertada do que os números atuais indicam, testando os limites da popularidade do petista.
A pesquisa aponta um cenário de empate técnico no Sudeste no segundo turno entre Flávio e Lula (46% a 44%). Entre o eleitorado feminino no primeiro turno, Lula apresenta uma vantagem de +11 pontos sobre Flávio. A avaliação positiva do governo Lula está em 32%, no mesmo patamar de setembro de 2025. A rejeição a Flávio Bolsonaro é de 48%, enquanto a de Lula é de 46%. O eleitorado "nem-nem", que se declara nem lulista nem bolsonarista, tem uma preferência por Lula (40%) em simulação de segundo turno, contra 31% de Flávio, uma inversão em relação a maio, quando o senador levava vantagem.