Flávio Bolsonaro e Caiado criticam Lula sobre tarifaço dos EUA
Flávio Bolsonaro retorna dos EUA após reuniões para tentar evitar tarifas americanas, enquanto Caiado critica Lula e o próprio senador por posturas divergentes sobre a questão.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retornou ao Brasil após adiar seu voo em um dia, alegando compromissos em Washington para tentar influenciar o governo de Donald Trump a não impor novas tarifas ao Brasil. Em declarações no aeroporto, Flávio afirmou estar cumprindo um papel que, segundo ele, deveria ser de Lula, defendendo o país contra as taxações propostas pelos Estados Unidos.
"Estou fazendo a minha parte, né? O que era para o Lula estar fazendo, eu fiz", declarou o senador, que também é pré-candidato à Presidência em 2026. Flávio Bolsonaro participou de uma audiência no USTR (órgão americano que sugeriu o tarifaço de 25% sobre mercadorias brasileiras), onde pediu o cancelamento das tarifas e criticou a gestão Lula por uma suposta omissão, ao não indicar um representante oficial para falar na sessão. O governo Lula, por sua vez, repudiou a ação de Flávio, classificando-a como intervenção e acusando o senador de legitimar investigações injustas contra o Brasil.
Enquanto Flávio Bolsonaro buscava dialogar diretamente com autoridades americanas, o pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou tanto o presidente Lula quanto o senador. Em entrevista ao Flow Podcast, Caiado acusou Lula de "provocar" Donald Trump com fins eleitorais e classificou a postura de Flávio Bolsonaro como um "ajoelhamento" aos interesses dos EUA. "Onde é que está o raciocínio de um candidato à Presidência da República de representar o país?", questionou Caiado, defendendo uma abordagem mais firme e de debate por parte do Itamaraty.
A ameaça de tarifas pelos EUA surgiu em junho, com o USTR propondo a taxação de 25% sobre produtos brasileiros. A investigação aponta que o Brasil adotaria práticas que "oneram ou restringem" o comércio, citando o PIX, desmatamento ilegal, pirataria e falhas em leis anticorrupção como exemplos. A viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA, sua quinta no ano, também foi alvo de críticas de aliados, que apontaram falta de agilidade na divulgação de informações e na estratégia de comunicação da sua pré-campanha.