Flávio Bolsonaro: Aliados pedem adiamento de escolha para Senado no RJ

Aliados de Flávio Bolsonaro pedem adiamento da escolha de candidato ao Senado no Rio devido a operações da PF que atingiram nomes cotados para a chapa.

Flávio Bolsonaro: Aliados pedem adiamento de escolha para Senado no RJ

Aliados do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recomendam o adiamento da definição do candidato do partido ao Senado pelo Rio de Janeiro. A sugestão surge em meio a uma série de operações da Polícia Federal que atingiram figuras importantes na articulação da chapa estadual, levantando preocupações sobre o risco político de uma escolha antecipada.

A estratégia visa minimizar o período de exposição do futuro indicado antes do registro oficial das candidaturas. Nos últimos dois meses, pelo menos três nomes ligados à formação da chapa enfrentaram investigações da PF. O ex-governador Cláudio Castro (PL), inicialmente cogitado para uma vaga no Senado, teve sua candidatura frustrada após ser declarado inelegível pelo TSE e, posteriormente, ser alvo de operações relacionadas a fraudes no setor de combustíveis e aportes do RioPrevidência.

Recentemente, o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), indicado para outra posição na chapa, foi preso em flagrante durante uma operação que encontrou um fuzil em seu carro. Outro nome forte, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), também viu sua posição enfraquecer após investigações sobre um suposto esquema de desvio de cotas parlamentares, com apuração sobre a origem de dinheiro apreendido em um imóvel ligado a ele.

Diante desse cenário, dirigentes do PL defendem que o anúncio do candidato ao Senado seja postergado para mais perto do prazo final de registro. A avaliação é que antecipar a escolha exporia o nome a semanas de desgaste desnecessário antes mesmo do início formal da campanha eleitoral. Mesmo o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), outro cotado, já enfrentou operações da PF no passado, embora não diretamente ligado aos desdobramentos mais recentes sobre cotas parlamentares.

No entanto, a tática de adiar a decisão não é consensual dentro do partido. Alguns dirigentes estaduais e parlamentares expressam insatisfação com a demora, cobrando uma definição para organizar as campanhas em um momento crucial do calendário eleitoral. A falta de um nome definido para uma vaga estratégica no Rio pode transmitir uma imagem de indefinição para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

A escolha do candidato ao Senado, que Flávio Bolsonaro pretendia anunciar na última sexta-feira, foi adiada novamente. Interlocutores sugerem que a decisão possa ocorrer apenas durante a convenção nacional do PL, em 25 de julho, ou até depois. A legislação eleitoral permite convenções entre 20 de julho e 5 de agosto, com registro de candidaturas até 15 de agosto, o que confere um intervalo para negociações finais.

O impasse no Rio de Janeiro reflete uma dificuldade maior na organização política do PL. Dirigentes estaduais têm reclamado da demora na resolução de disputas locais e no fechamento de alianças prioritárias para a campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto. A lentidão é atribuída à complexidade das negociações e à necessidade de acomodar interesses de partidos aliados, além de consultas a Jair Bolsonaro antes das definições finais.