Flamengo questiona venda da SAF do Vasco em órgão regulador

Flamengo contesta venda da SAF do Vasco para Marcos Lamacchia na ANRESF, alegando conflito de interesses com o Palmeiras e a Crefisa.

Flamengo questiona venda da SAF do Vasco em órgão regulador

A negociação para a venda de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco da Gama para Marcos Lamacchia recebeu um novo obstáculo. O Flamengo entrou com um pedido na Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para que a operação seja analisada. A solicitação se baseia em artigos da Lei Geral do Esporte e do Regulamento de Sustentabilidade Financeira que proíbem a participação simultânea no capital social ou na gestão de outra organização esportiva que dispute a mesma competição profissional.

## Conflito de Interesses Alegado

O principal argumento do Flamengo reside no fato de Marcos Lamacchia ser filho de José Lamacchia, proprietário da Crefisa e avalista da operação. José Lamacchia é casado com Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras, com mandato que se estende até 2027. Essa ligação familiar e de interesses entre o potencial comprador da SAF do Vasco e a diretoria do clube paulista é o que fundamenta o pedido de análise e possível veto por parte da ANRESF. O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, já havia manifestado críticas à negociação.

## Regulamentação e Próximos Passos

Embora o Flamengo tenha tomado a iniciativa, o regulamento da ANRESF prevê que qualquer alteração societária deve ser informada em até 30 dias após a efetivação. A venda da SAF do Vasco ainda não foi concluída, o que significa que a agência poderia iniciar uma análise de ofício, independentemente da provocação do clube rival. Athos de Andrade Figueira Neves, designado pela Justiça do Rio para fiscalizar a governança da SAF, já manifestou compromisso com o regulamento de sustentabilidade do futebol brasileiro.

## Detalhes da Negociação da SAF

A Almirante Participações, representada por Marcos Lamacchia e Mario Junqueira Franco Junior, assinou um contrato vinculante com o Vasco, tornando-se a investidora âncora para a venda de 90% da SAF. A proposta inclui um investimento mínimo de R$ 650 milhões, sendo R$ 500 milhões destinados ao futebol profissional e o restante para melhorias de infraestrutura no CT Moacyr Barbosa e nas categorias de base. A negociação está sendo conduzida através de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI Equity), um instrumento jurídico que visa facilitar a venda de ativos para o pagamento de credores, conforme previsto no plano de recuperação judicial do clube. A possibilidade de venda ou exploração do estádio de São Januário também está contemplada em um edital separado (UPI Estádio). Todos os desdobramentos da venda, seja para a Almirante ou outros investidores, serão supervisionados pela Justiça.