Federação PP-União pode ficar neutra no Rio e isolar o PL
Federação PP-União cogita neutralidade na eleição do Rio, o que favorece Eduardo Paes e isola o PL de Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas.

A federação composta pelos partidos Progressista (PP) e União Brasil está prestes a anunciar neutralidade na disputa eleitoral do Rio de Janeiro, seguindo a mesma linha que pretende adotar na eleição presidencial. Este movimento, que deve ser oficializado em breve, interessa diretamente ao pré-candidato Eduardo Paes (PSD) e, por outro lado, isola o Partido Liberal (PL) de Douglas Ruas e do presidenciável Flávio Bolsonaro no estado.
## Impacto da Neutralidade
A confirmação da neutralidade pelo diretório nacional liberaria os filiados de PP e União Brasil para apoiar qualquer candidato na corrida eleitoral. Essa posição é estratégica, considerando que a federação, em conjunto, elegeu aproximadamente um terço dos prefeitos do Rio há dois anos e possui um tempo considerável de propaganda no horário eleitoral gratuito, tornando-a uma força cobiçada.
O ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), anunciado como vice na chapa de Douglas Ruas, possui proximidade com Eduardo Paes e pode, inclusive, declarar apoio ao candidato do PSD caso a neutralidade seja oficializada. Lisboa, que inicialmente foi cotado para ser vice de Paes, migrou para a chapa do PL como parte de uma estratégia partidária. A relação entre Paes e o PP é vista como mais sólida do que com o União Brasil, com o PSD buscando historicamente "dividir" a legenda.
## Cenário Político e Judicial
Um encontro recente entre representantes do PSD e do PP, incluindo Eduardo Paes e Rogério Lisboa, reforça as articulações em curso. Dentre os quatro pré-candidatos apresentados pela direita em fevereiro, apenas Douglas Ruas permaneceria na disputa caso a federação opte pela neutralidade. Outros nomes, como Lisboa e pré-candidatos ao Senado, enfrentaram reveses, alguns deles ligados a questões policiais.
O cenário político do Rio de Janeiro tem sido marcado por turbulências, especialmente para a direita, com preocupações sobre o impacto de novas operações policiais. A inelegibilidade de Cláudio Castro (PL) após condenação e operações da Polícia Federal envolvendo outros políticos intensificam a crise. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a linha sucessória do governo estadual também alterou expectativas anteriores do PL.
A potencial neutralidade da federação PP-União, somada ao favoritismo de Paes e à linha nacional do partido, configura um cenário favorável para que a legenda não se comprometa com a candidatura de Ruas no estado, reconfigurando as alianças políticas no Rio de Janeiro.