Fazenda promete dívida pública estável até 2030 com corte de gastos
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, anuncia plano para estabilizar dívida pública até 2030 com foco em corte de gastos obrigatórios e aumento da eficiência estatal. Medidas buscam credibilidade fiscal e segurança para investimentos.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou o compromisso do governo federal com a responsabilidade fiscal, apresentando a meta de estabilizar a dívida pública até 2030. A estratégia central para alcançar este objetivo envolve a contenção rigorosa dos gastos obrigatórios, um dos principais focos da pasta para reequilibrar as contas públicas.
## Controle de Despesas e Gestão Eficiente
Durigan destacou a necessidade de aumentar a eficiência na gestão pública e alertou para a importância do Congresso Nacional em evitar a aprovação de "pautas-bomba", medidas que geram alto impacto fiscal. Ele também criticou os "supersalários" do Judiciário, classificando-os como "inadmissíveis". O ministro sinalizou que, após as eleições, haverá um aumento nas parcerias público-privadas (PPPs), buscando transmitir segurança ao mercado sobre o ajuste fiscal do governo sem medidas extremas.
As declarações foram feitas durante o evento Expert XP, em São Paulo. Apesar das sinalizações do governo, projeções de mercado e da Instituição Fiscal Independente (IFI) ainda indicam um crescimento da dívida, podendo atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2030. O ministério, contudo, argumenta que o ajuste estrutural já realizado é robusto e que as incertezas atuais nos juros futuros se devem mais a fatores globais, como a política monetária dos Estados Unidos.
## Trajetória da Dívida e Cenário Pós-Eleitoral
A estabilização da dívida pública é tratada como um desafio crucial, com projeções do Tesouro Nacional indicando que, com a contenção de gastos planejada, ela pode se estabilizar entre 2029 e 2030. Isso exigirá a geração de superávit primário e uma disciplina fiscal contínua. A contenção dos gastos obrigatórios é vista como fundamental para liberar espaço para investimentos discricionários.
O ministro mencionou a importância de discutir a Previdência Social, incluindo regimes especiais de militares e servidores, e de combater os altos salários no Judiciário. Durigan projeta um superávit primário de 0,5% do PIB nos próximos anos e defende que a trajetória da dívida seja incorporada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para aumentar a credibilidade.
O plano de atuação do Ministério da Fazenda para o período pós-eleitoral se baseia em três pilares: contenção de despesas obrigatórias, estruturação de um Estado eficiente e simplificação tributária. Durigan garantiu que o governo respeitará os resultados eleitorais e as instituições, evitando rupturas. Ele também ressaltou a articulação política que resultou na aprovação de apenas um projeto considerado "pauta-bomba" antes do recesso, sinalizando um cenário mais controlado para o futuro. O governo planeja atuar em áreas onde o setor privado não assume riscos, com foco em programas como o Fundo Clima e o Eco Invest Brasil, além de oferecer garantias cambiais para atrair investidores em projetos de longo prazo.