Ex-ministros de Lula criticam Tarcísio por apoio a Trump e tarifaço
Ex-ministros de Lula criticam Tarcísio de Freitas por apoio a Trump e pelas tarifas impostas pelos EUA, que prejudicam São Paulo. As declarações foram feitas em convenção do PDT.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi alvo de críticas contundentes de ex-ministros de Lula, como Márcio França (PSB), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). As críticas surgiram durante a convenção estadual do PDT em São Paulo, na última sexta-feira (24), em decorrência do novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, sob o governo de Donald Trump, oficializado em 15 de maio.
## Prejuízos para São Paulo e apoio a Trump
Márcio França, que já ocupou os ministérios de Portos e Aeroportos e de Empreendedorismo no governo federal, destacou que o estado de São Paulo foi particularmente lesado pelo "tarifaço" de Trump. Segundo ele, as retaliações americanas atingiram produtos essenciais para a economia paulista, como café e móveis. "Trump retaliou exatamente nas coisas que São Paulo produz. No café, no móvel. Eles apoiaram. Quem vai nos indenizar?", questionou França.
Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, endossou a crítica, afirmando que as novas tarifas prejudicam a produção brasileira de etanol, biocombustíveis, calçados e diversos setores industriais. Ela reprovou a postura de Tarcísio, que teria minimizado o impacto do problema. "É um problema de quem não prefere botar o chapéu do Trump em vez de botar o chapéu da agricultura, da indústria e dos interesses do Brasil", declarou a ex-ministra.
Simone Tebet, ex-ministra do Planejamento e Orçamento, direcionou sua crítica diretamente ao apoio de Tarcísio a Donald Trump, lembrando o vídeo em que o governador paulista aparece usando o boné "Make America Great Again" (MAGA) no dia da posse de Trump em 2025. "Quando é que o governador Tarcísio vai tirar o boné lá do MAGA e pedir desculpas para a população paulista por defender os Estados Unidos acima dos interesses do Brasil?", indagou Tebet. Ela reforçou que São Paulo é o estado que mais sofrerá com as novas tarifas, citando Franca como um importante polo exportador para os EUA.
França, Marina e Tebet são figuras políticas que compõem a chapa de Fernando Haddad (PT) em São Paulo, com França pré-candidato a vice-governador e Marina e Tebet pré-candidatas ao Senado.
## Mudança de discurso do governador
Inicialmente, após o primeiro "tarifaço" de Trump, Tarcísio de Freitas atribuiu a responsabilidade ao governo Lula, alegando que a "ideologia" havia sido colocada acima da economia. No entanto, após reações negativas, o governador paulista moderou seu discurso. Diante do novo pacote de tarifas, Tarcísio passou a defender a negociação como caminho para mitigar os efeitos. "É importante que a negociação seja continuada. Acho que o Brasil tem que continuar negociando, é uma correta orientação do ministro das Relações Exteriores", afirmou, defendendo que as empresas levantem seus argumentos e que o país negocie "até a exaustão". Ele também sugeriu que a questão deve ser vista sob um prisma comercial, e não narrativas políticas, lembrando o caso da Embraer.
## Críticas às privatizações
Durante seu discurso na convenção do PDT, Márcio França também aproveitou para criticar as políticas de privatização implementadas pelo governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo. França argumentou que concessões e vendas de ativos públicos foram realizadas sem a devida valorização dos patrimônios estaduais. Ele exemplificou que o Aeroporto de Congonhas se pagou em apenas dois anos e a Sabesp em três anos, indicando que a gestão estadual "não sabe vender" seus bens públicos, pois o lucro anual dos ativos concedidos rapidamente supera o valor da venda.