EUA: Secretário de Segurança ameaça eleitores com prisão por fraude

Secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, ameaça prender autoridades eleitorais que não adotarem medidas contra supostas fraudes, reiterando alegações de Trump sem provas e gerando polêmica.

EUA: Secretário de Segurança ameaça eleitores com prisão por fraude

O Secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, intensificou a pressão sobre autoridades eleitorais locais, ameaçando-as com prisão caso não adotem medidas alinhadas aos esforços do governo Donald Trump para alterar políticas eleitorais. Mullin reiterou diversas alegações infundadas sobre a segurança das eleições americanas, ecoando discursos anteriores do presidente Trump, que, sem apresentar provas concretas, afirma que o processo eleitoral é suscetível a "invasões cibernéticas, manipulação e corrupção".

## Pressão sobre Cadastros Eleitorais

Mullin sustentou argumentos semelhantes aos de Trump, repetindo a alegação não verificada de que o governo identificou centenas de milhares de não cidadãos em cadastros eleitorais de pelo menos quatro estados. No entanto, nem Trump nem Mullin forneceram detalhes sobre a origem desses números. Autoridades de ao menos dois dos estados mencionados refutaram a alegação, afirmando que seus registros eleitorais são mantidos atualizados. O secretário também levantou a possibilidade de agentes estrangeiros explorarem vulnerabilidades em sistemas eleitorais para alterar votos, apesar da ausência de evidências de tais violações. Especialistas em cibersegurança e funcionários eleitorais consideram esse cenário altamente improvável, dado que equipamentos de votação geralmente operam offline e a maioria das adulterações hipotéticas exigiria acesso físico às máquinas.

## Escalada Retórica e Limitações Legais

As declarações de Mullin refletem um esforço crescente do governo Trump para empregar a influência federal a fim de reforçar alegações de fraude eleitoral. A retórica agressiva representa um risco de gerar mais caos e desconfiança entre administradores eleitorais e eleitores, especialmente com a proximidade das eleições legislativas. As ameaças surgem em um momento em que o presidente e seus aliados buscam maior controle sobre a infraestrutura eleitoral, apesar das claras limitações constitucionais que delegam o poder de reger eleições ao Congresso e aos estados, sem autoridade explícita para o Poder Executivo.

Mullin elevou o tom contra as autoridades estaduais e locais, declarando: "Se os funcionários eleitorais, depois de lhes termos fornecido as informações necessárias para garantir a segurança das eleições, optarem por não as utilizar, esses indivíduos também poderão ser responsabilizados por meio de multas, penalidades e até mesmo, dependendo da gravidade da situação, pena de prisão". Esta não é a primeira vez que o governo Trump ameaça administradores eleitorais. Recentemente, o Departamento de Justiça enviou cartas a todos os 50 estados, alertando sobre processos criminais caso votos de não cidadãos fossem contabilizados.

A alegação de Mullin sobre a descoberta de mais de 250 mil não cidadãos nos cadastros eleitorais da Califórnia, Nova Jersey, Nevada e Pensilvânia não se alinhou completamente a uma carta anterior do próprio secretário, que indicava que o número era uma estimativa preliminar. Autoridades da Califórnia, Pensilvânia e Nevada contestaram as alegações, reafirmando a integridade de seus processos eleitorais.