EUA Revogam Visto de Embaixadora Brasileira em Crise Diplomática

Governo Trump revoga visto da embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em retaliação à demora na aprovação do indicado a embaixador dos EUA em Brasília e à recusa de vistos a diplomatas americanos.

EUA Revogam Visto de Embaixadora Brasileira em Crise Diplomática

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida, confirmada nesta terça-feira (4), representa uma escalada na crise diplomática entre os dois países e é vista como uma retaliação direta.

## Motivos da Retaliação

A principal causa apontada pelas autoridades americanas para a revogação do visto é a demora do Brasil em conceder o agrément — a aceitação diplomática — para Daniel Perez, indicado por Trump para chefiar a embaixada dos EUA em Brasília. Segundo o Departamento de Estado, a decisão brasileira de adiar a aprovação do nome de Perez, que já havia sido confirmado por uma comissão do Senado americano, foi um obstáculo à praxe diplomática. Fontes americanas indicam que o Brasil sinalizou que a autorização só ocorreria após as eleições presidenciais de outubro.

Além disso, a revogação do visto da embaixadora brasileira também é uma resposta à recusa do Brasil, no mês anterior, em conceder vistos a dois diplomatas americanos, Riley Barnes e Samuel Samson. Estes funcionários do Departamento de Estado planejavam visitar o Brasil entre 27 e 30 de julho para discutir temas como "integridade eleitoral", liberdade religiosa e de expressão. Relatos sugeriam que a visita poderia ter o objetivo de questionar o sistema eleitoral brasileiro, alegação negada pelo Departamento de Estado, que classificou a visita como rotineira.

## Reações e Implicações

O governo brasileiro repudiou a decisão americana, classificando-a como parte de uma "escalada deliberada de medidas hostis" e denunciando uma tentativa de interferir nas eleições do país. O Itamaraty destacou que os EUA romperam a praxe diplomática ao anunciar o indicado para a embaixada antes de solicitar formalmente o agrément.

Autoridades americanas, no entanto, defendem a medida como um ato de "reciprocidade", afirmando que o presidente Trump tem o direito de determinar quem representa os interesses dos EUA e que a política "America First" orienta a formação de sua equipe diplomática. Uma autoridade do Departamento de Estado ressaltou que a embaixadora Viotti não foi declarada persona non grata e que a decisão pode ser revertida se o Brasil conceder o aval para Perez.

Especialistas veem a revogação como um "precedente perigoso" e um aumento da pressão da Casa Branca sobre o Brasil. A embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, diplomata de carreira com experiência em missões na ONU e na Alemanha, deve permanecer afastada de suas funções em Washington até a resolução do impasse. O caso reflete as tensões políticas, especialmente considerando os laços da família Bolsonaro com o governo Trump e as divergências com o governo Lula.

Outras medidas diplomáticas podem ser consideradas pelos EUA caso o Brasil continue a adiar ou negar a aprovação de Daniel Perez.