EUA pressionaram por abertura total e acesso a minerais críticos do Brasil

EUA exigiram abertura total de setores como químico e automotivo, além de acesso a minerais críticos. Brasil recusa, alegando soberania. Troca de farpas diplomáticas e tarifas adicionais marcam o impasse.

EUA pressionaram por abertura total e acesso a minerais críticos do Brasil

O Brasil e os Estados Unidos protagonizam um embate diplomático após a imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, revelou que os EUA buscavam a abertura total do setor químico brasileiro, a eliminação de tarifas sobre bens industriais e restrições a investimentos em minerais críticos e terras raras. Segundo Elias Rosa, esses setores, juntamente com madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar, foram os mais afetados pelas tarifas impostas pelos EUA, e o governo brasileiro está trabalhando para auxiliar cerca de 2,4 mil empresas exportadoras a diversificarem seus mercados.

## Exigências americanas e soberania nacional

As demandas americanas incluíam acesso irrestrito ao mercado automotivo e a redução a zero das tarifas de bens industriais. Em relação a minerais estratégicos como terras raras, o governo americano teria solicitado medidas para limitar investimentos por "atores não orientados pelo mercado" e "entidades estrangeiras". Elias Rosa classificou essas exigências como inaceitáveis, afirmando que "terras raras e minerais críticos pertencem ao povo brasileiro e à soberania do povo brasileiro". Ele mencionou que Reino Unido e Austrália já fecharam acordos similares nessa área com os EUA, mas o Brasil recusou a proposta.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reforçou a posição brasileira, acusando os EUA de buscarem uma "capitulação" e de estarem incomodados com a recusa do Brasil em "curvar-se às pretensões desmedidas". Vieira rebateu críticas do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que atribuiu a falta de acordo ao "ego" do presidente Lula, afirmando que se trata, na verdade, da "convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania brasileira".

## Histórico de negociações e dados comerciais

Segundo Vieira, mais de 30 reuniões ocorreram entre os governos desde março de 2025, incluindo 11 contatos diretos com representantes americanos e reuniões entre os presidentes. O chanceler brasileiro reiterou que as tarifas impostas pelos EUA, anunciadas sob alegações de práticas comerciais "desleais", não têm justificativa, especialmente considerando o superávit comercial de US$ 424 bilhões dos EUA com o Brasil nos últimos 15 anos e o fato de que 76% das importações americanas no Brasil em 2025 entraram sem imposto de importação. Vieira também defendeu o Pix, classificando as acusações de competição desleal como "descabidas", e destacou a redução do desmatamento no Brasil desde 2022, refutando outras justificativas americanas.