EUA negam interferência e chamam de 'mentira' suspeita sobre eleições no Brasil

EUA negam intenção de interferir nas eleições brasileiras após Itamaraty recusar vistos a diplomatas americanos. Suspeitas envolviam questionamentos sobre urnas eletrônicas.

EUA negam interferência e chamam de 'mentira' suspeita sobre eleições no Brasil

## Tensão diplomática: vistos negados e acusações de interferência

O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como "mentira sem fundamento" a suspeita de que a visita de dois representantes do governo de Donald Trump ao Brasil teria como objetivo interferir nas eleições presidenciais de outubro. A declaração foi divulgada pela agência AP após o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) negar a concessão de vistos aos norte-americanos. Riley M. Barnes, secretário assistente, e Samuel Samson, secretário assistente adjunto, estavam previstos para visitar Brasília entre 27 e 30 de julho, com uma agenda que incluía encontros com autoridades, líderes religiosos e outros interlocutores. O foco oficial da viagem seria discutir a integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.

## Reação brasileira e histórico de desconfiança

O Itamaraty negou os vistos solicitados pelos enviados americanos em 24 de julho, cinco dias após o pedido ter sido apresentado. Embora o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não tenha fornecido uma justificativa oficial para a recusa, fontes indicam que o Planalto suspeitava que a missão pudesse ter o intuito de levantar dúvidas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Havia também a preocupação de que os diplomatas buscassem estabelecer uma interlocução direta com o então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Representantes da Embaixada dos EUA teriam, nos bastidores, demonstrado interesse em um encontro com o senador, algo que não constava nos documentos formais apresentados ao governo brasileiro.

## Conexões com questionamentos sobre urnas eletrônicas

O pedido de vistos ocorreu um dia antes de Flávio Bolsonaro questionar publicamente as urnas eletrônicas em um evento com embaixadores em Brasília. Na ocasião, o senador citou supostas informações da CIA sobre fraudes eleitorais na Venezuela e alegou que equipamentos da empresa Smartmatic poderiam ser utilizados no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rebateu prontamente essas declarações, afirmando que a Smartmatic jamais forneceu urnas ou softwares ao sistema eleitoral brasileiro. O TSE também informou que a Embaixada dos EUA havia procurado sua assessoria internacional para organizar uma reunião com os enviados americanos, sem detalhar a pauta. O encontro não se concretizou devido ao recesso do Judiciário.

## Episódio se soma a outras revogações de visto

Este incidente se soma a outros casos recentes de revogação de vistos de pessoas ligadas ao ex-presidente Donald Trump. Anteriormente, Darren Beattie, um aliado de Trump, teve seu visto cancelado. Segundo o governo brasileiro, Beattie declarou que participaria de um fórum sobre minerais críticos, mas também pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa segunda intenção não havia sido informada previamente ao Itamaraty, levando à decisão de negar sua entrada no país. A sequência de eventos reforça a cautela brasileira em relação a visitas de figuras políticas americanas com agendas não totalmente transparentes.