EUA em 250 anos: Zakaria vê retrocesso, mas aponta resiliência democrática

Fareed Zakaria analisa os 250 anos de independência dos EUA, destacando um retrocesso democrático recente, mas ressaltando a resiliência do país e o vigor da sociedade civil.

EUA em 250 anos: Zakaria vê retrocesso, mas aponta resiliência democrática

Enquanto os Estados Unidos se preparam para celebrar seus 250 anos de independência, o renomado jornalista e analista Fareed Zakaria lança um olhar crítico sobre o momento atual do país. Em seu livro mais recente, “A era das revoluções”, Zakaria explora ciclos históricos de progresso e retração, e observa com apreensão o atual retrocesso democrático americano, especialmente quando o país deveria estar em festa.

## Reflexões sobre o Cenário Político Americano

Zakaria aponta que as forças que impulsionaram o avanço de pautas liberais após a Segunda Guerra Mundial e, mais intensamente, após a Guerra Fria, ainda não desapareceram. Ele sugere que o pêndulo político pode voltar a se mover em direção ao centro, citando como exemplos o ativismo da sociedade civil contra abusos na imigração e a possibilidade de o Partido Democrata adotar uma postura mais moderada.

O analista critica as chamadas “políticas da nostalgia”, que prometem um retorno a um passado idealizado, mas que, segundo ele, possuem “prazo curto de validade” e desinflam quando os eleitores percebem a irrealidade de tais promessas, como a da reindustrialização através de tarifas.

## A Força da Democracia Liberal e a Resiliência dos EUA

Zakaria defende que apenas uma democracia liberal secular é capaz de administrar sociedades contemporâneas com eficácia. Ele argumenta que, embora possam ocorrer recuos pontuais, um retorno completo ao passado é improvável. O jornalista, que chegou aos EUA em 1992 e estudou em Yale e Harvard, contrasta a abertura e acolhimento dos EUA de Bill Clinton com o atual populismo xenófobo, mas ressalta que a vida cotidiana nas cidades ainda reflete o orgulho da imigração e da diversidade.

“Apesar de tudo, permanece”, afirma Zakaria, referindo-se à capacidade de resiliência do país. Ele reconhece que os EUA se tornaram a nação mais rica e poderosa da história, com Nova York mantendo seu papel central na economia global e a revolução da informação favorecendo seus pontos fortes. Apesar da ascensão de outras economias, a participação dos EUA no PIB global permaneceu notável.

## Desafios Democráticos e o Legado de Trump

Por outro lado, Zakaria não ignora a realidade recente, marcada pelo que ele chama de “Trump 2.0” e o maior retrocesso democrático em sete décadas. Ele compara a situação atual com o macarthismo, questionando se esse declínio é reversível. O vigor da sociedade civil, especialmente em centros urbanos, é visto como um sinal de esperança, mobilizando não apenas a esquerda, mas também o centro político em reação a atos considerados antiamericanos.

O jornalista destaca, contudo, os imensos desafios, incluindo o uso sem precedentes do Departamento de Justiça e órgãos de inteligência para perseguir oponentes políticos, algo que, segundo ele, nem Richard Nixon chegou a fazer. Zakaria aponta a necessidade de reformas legais, um processo complexo nos EUA, e critica a atuação da Suprema Corte, que, após nomeações de Trump, moveu-se para a direita e ampliou o poder do Executivo.