EUA criticam decisão do Brasil sobre suposto espião russo

EUA criticam decisão do Brasil de permitir retorno de suposto espião russo à Rússia, alegando que medida enfraquece combate a interferências estrangeiras.

EUA criticam decisão do Brasil sobre suposto espião russo

O governo dos Estados Unidos manifestou profunda preocupação com a decisão do Brasil de permitir o retorno de Sergey Cherkasov à Rússia. Cherkasov é apontado pelos EUA como um suposto espião russo, agente de inteligência militar (GRU), que utilizava uma identidade falsa brasileira para atuar no exterior, especialmente contra os Estados Unidos e países europeus. Em nota oficial, o Departamento de Estado americano declarou que a medida brasileira "enfraquece nosso compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras e proteger a integridade de nossas instituições democráticas".

Washington também solicitou ao Brasil que considere o precedente criado pela decisão e que trabalhe em conjunto com os EUA para responsabilizar indivíduos que "ameaçam nossa segurança coletiva". A decisão brasileira, publicada no Diário Oficial da União, autoriza a expulsão de Cherkasov, mas sua execução depende do fim da pena que ele cumpre no Brasil ou de liberação antecipada pelo Judiciário. Ainda não há data para que isso ocorra.

Sergey Cherkasov está detido em uma penitenciária federal em Brasília desde 2022, cumprindo pena de cinco anos por falsidade ideológica. A Polícia Federal e o FBI suspeitam que ele atuava como agente de inteligência russo, tendo vivido por 12 anos com uma identidade brasileira falsa. Contudo, investigações não encontraram evidências de que ele tenha agido como espião contra o Brasil, sendo seus alvos principais os EUA e nações europeias. O próprio Cherkasov nega ser um espião russo.

Desde a prisão de Cherkasov, Brasil, Rússia e Estados Unidos se envolveram em uma disputa diplomática pela sua custódia. Moscou solicitou sua extradição alegando tráfico de drogas, uma versão contestada por EUA e autoridades brasileiras, que viam a solicitação como uma tentativa russa de repatriar um agente. Em março de 2023, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Cherkasov formalmente como agente do GRU, infiltrado nos EUA com a identidade de Victor Muller Ferreira.

O ministro do STF, Luiz Edson Fachin, autorizou a extradição para a Rússia em março de 2023, mas condicionou a saída do país à conclusão das investigações brasileiras. Posteriormente, em abril de 2023, os EUA também pediram formalmente a extradição de Cherkasov, acusando-o de atuar como agente estrangeiro, além de fraudes financeiras e irregularidades em vistos. Em julho de 2023, o Ministério da Justiça brasileiro negou o pedido americano, considerando-o improcedente devido ao pedido russo já homologado pelo STF. A entrega, no entanto, permaneceu suspensa por pendências judiciais no Brasil.

No final de 2023, a Justiça Federal e o Ministério Público Federal confirmaram que Cherkasov não possuía mais pendências jurídicas no Brasil que impedissem sua extradição. A decisão final sobre seu destino, então, passou a depender da Presidência da República, em um desfecho que encerra um capítulo complexo nas relações diplomáticas entre os três países.