EUA chamam de 'absurda' hipótese de ação militar no Brasil

EUA rebatem Itamaraty e chamam de 'absurda' hipótese de ação militar no Brasil após classificação de PCC e CV como terroristas.

EUA chamam de 'absurda' hipótese de ação militar no Brasil

O governo dos Estados Unidos classificou como "absurda" a avaliação do Itamaraty sobre o risco de uma ação militar americana no Brasil. A declaração do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviada à Câmara dos Deputados em 1º de julho, alertava que a nova classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos EUA poderia justificar ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, incluindo o uso da força militar em território nacional.

Em resposta, um porta-voz do Departamento de Estado americano rebateu a nota oficial do Itamaraty, afirmando que essas facções brasileiras agora operam nos Estados Unidos e que o país defenderá seu povo. O porta-voz considerou a avaliação brasileira "um absurdo" e acrescentou que "alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e favorecer alguns dos grupos mais violentos do mundo". Os EUA declararam que estão tomando medidas decisivas, em conformidade com sua própria autoridade soberana, para combater o narcoterrorismo.

O Itamaraty, por sua vez, argumentou que a classificação de facções criminosas como organizações terroristas não oferece ganhos concretos para a cooperação bilateral. Segundo o ministério, a legislação americana já prevê instrumentos para o combate ao crime organizado transnacional, como o compartilhamento de informações e a apreensão de bens. Além disso, órgãos brasileiros de segurança pública, inteligência e Justiça entenderam que o enquadramento é juridicamente inadequado e representa "riscos concretos à soberania nacional", podendo gerar impactos econômicos e afetar cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal.

O Ministério da Defesa, em contraste com o Itamaraty, não enxerga riscos significativos para uma ação militar dos EUA no Brasil. Internamente, a avaliação é de que há mais tensão nas discussões sobre guerra tarifária entre os dois países do que no acirramento de ânimos entre as Forças Armadas em relação às facções brasileiras. O chanceler Mauro Vieira havia apresentado a posição do Itamaraty em resposta a questionamentos da Câmara dos Deputados.