Estudo revela: Direita concentra discurso e domina redes sociais

Estudo revela que a direita brasileira obtém maior engajamento nas redes sociais ao concentrar sua comunicação em poucos temas, enquanto a esquerda pulveriza sua mensagem em centenas de assuntos.

Estudo revela: Direita concentra discurso e domina redes sociais

Uma análise sobre a comunicação política nas redes sociais em 2024 aponta que a estratégia adotada pela direita brasileira, com concentração em poucos temas, tem gerado maior alcance e engajamento em comparação com a esquerda, que pulveriza sua mensagem em centenas de assuntos. A constatação é do cientista de dados Renato Dolci, diretor de Dados da Timelens, que compartilhou os resultados de um estudo durante o programa Mapa de Risco, focado em estratégias eleitorais.

## Estratégia de Discurso Concentrado

Dolci explicou que a direita discute cerca de 68 temas em suas comunicações digitais, enquanto a esquerda aborda aproximadamente 476 assuntos distintos. Essa diferença na quantidade de temas permite que a direita “martelar muito mais determinados conteúdos”, aproveitando a natureza da internet, que recompensa a constância e a repetição de mensagens. A concentração temática facilita a organização de narrativas e a exploração de assuntos que ressoam com o público, especialmente aqueles ligados a debates culturais e de moralidade.

## Dinâmica das Plataformas e Engajamento

O especialista destacou que a própria dinâmica das redes sociais favorece conteúdos mais diretos e combativos. Algoritmos tendem a distribuir melhor mensagens que geram confronto e contraposição, pois elas repercutem, em média, sete vezes mais do que conteúdos positivos. Segundo Dolci, as redes sociais funcionam mais pelo “barulho” do que pelo consenso, e a estratégia da direita se alinha a essa característica, tornando a comunicação mais eficaz em plataformas com vídeos curtos, onde explicar e contextualizar é mais desafiador.

## Equilíbrio com Estruturas Tradicionais

Apesar da vantagem observada no ambiente digital, Renato Dolci ressaltou que as campanhas tradicionais ainda mantêm sua importância. Candidatos com forte capital político, como o presidente Lula, conseguem transformar agendas públicas e aparições na imprensa em grande repercussão nas redes sociais. A “coreografia do digital”, que envolve um modelo de produção de conteúdo e militâncias organizadas, é dominada pela direita. No entanto, a força política acumulada ao longo da trajetória de figuras proeminentes garante que a visibilidade tradicional também se traduza em alcance digital.