Espriella assume presidência da Colômbia e promete combate rigoroso a plantações de coca
Abelardo de la Espriella assume a presidência da Colômbia com promessa de combate ao crime e erradicação de cultivos de coca. Posse em Cali marca início de governo de direita.

Abelardo de la Espriella iniciou oficialmente seu mandato como presidente da Colômbia nesta sexta-feira (7), em uma cerimônia de posse inédita realizada na cidade de Cali, no sudoeste do país. A decisão de realizar o evento fora da capital, Bogotá, foi autorizada pelo Congresso colombiano e marca um precedente histórico.
Em seu discurso inaugural, o novo presidente enfatizou a importância da democracia e solicitou que o resultado das eleições seja respeitado, em um contexto de contestações por parte da oposição. Espriella argumentou que a legitimidade de seu mandato, obtido sob as mesmas regras e instituições que elegeram o governo anterior, não pode ser questionada, pois reflete a vontade popular.
## Combate à criminalidade e políticas de segurança
Espriella, que se apresentou como um candidato antissistema durante a campanha, venceu o senador Iván Cepeda com uma margem de 250 mil votos, obtendo 49,66% no segundo turno. Seu plano de governo prevê um aperto no combate ao crime organizado, a redução de gastos públicos e o enxugamento da máquina estatal. Ele também sinalizou a intenção de expandir a exploração de petróleo.
O novo presidente determinou às Forças Militares e à Polícia Nacional que intensifiquem o combate às organizações criminosas e ao narcoterrorismo. Citando a experiência positiva durante o governo de Álvaro Uribe Vélez, Espriella declarou que "a segurança não é construída com concessões ao crime, mas com autoridade e perseverança". Ele deu um ultimato aos envolvidos com o crime: "submeter-se ao império da lei ou enfrentar a força decidida do Estado colombiano".
## Erradicação de cultivos de coca e legado político
Uma das promessas centrais de Espriella é a erradicação definitiva dos cultivos de coca no país. Ele anunciou que essa será uma prioridade nacional, com o uso de herbicidas em larga escala. O presidente assegurou que os produtos a serem utilizados não apresentarão riscos à saúde humana ou ao meio ambiente, e que estarão em conformidade com as decisões da Corte Constitucional.
Durante o discurso, Espriella também homenageou o senador Miguel Uribe Turbay, a quem chamou de "mártir" da campanha que o levou à presidência. A morte de Uribe, baleado em junho de 2025 e falecido em agosto do mesmo ano, foi associada pelo novo presidente ao governo anterior, embora investigações apontem para motivações políticas ligadas a dissidências das Farc, sem indícios de envolvimento direto do ex-presidente Petro ou de seu governo. A morte do senador reacendeu o debate sobre a violência política na Colômbia.