Especialista desmistifica 'cultura da correria' no trabalho
Especialista em RH desmistifica a 'cultura da correria', alertando para riscos do estresse e propondo estratégias como priorização, gestão de energia e colaboração para um trabalho mais equilibrado e produtivo.

A pressão por resultados em agendas cada vez mais intensas tem levado profissionais e empresas a repensar a tradicional associação entre longas jornadas e alto desempenho. A psicóloga Polyana Macedo, gerente executiva de RPO no ManpowerGroup Brasil, desmistifica a chamada "cultura da correria", alertando que a performance sustentável advém de estratégia, foco e bem-estar, e não da capacidade de suportar estresse contínuo.
O debate sobre a carga de trabalho ganha urgência em um contexto onde o estresse profissional atinge níveis alarmantes. Dados da Gallup indicam que quase metade dos trabalhadores brasileiros relatam estresse diário. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que a exposição prolongada a essa condição pode desencadear problemas de saúde física e mental, como doenças cardiovasculares, comprometimento do sistema imunológico, ansiedade, depressão e distúrbios do sono.
## Estratégias para uma Rotina mais Saudável
Para combater a sobrecarga, a especialista sugere a definição de critérios claros para priorização de tarefas. Ao classificar demandas com base em impacto nos negócios, riscos e prazos reais, é possível alinhar expectativas e reduzir demandas desnecessárias, evitando que a pressão se torne constante e prejudique a tomada de decisão.
A gestão do tempo também passa por otimizar períodos de concentração. Em ambientes com muitas reuniões, aproveitar intervalos para atividades prioritárias e garantir objetivos claros em cada encontro pode diminuir o desgaste da multitarefa. O foco é criar condições para que tarefas relevantes recebam a devida atenção, sem buscar a perfeição inatingível.
## Transparência e Colaboração
A transparência sobre a carga de trabalho é fundamental, especialmente em posições de liderança. Negociar prazos, redistribuir atividades e comunicar a capacidade real de execução ajudam a evitar o esgotamento e a definir prioridades de forma mais realista. Tornar visível o volume de trabalho e seus efeitos permite que equipes e gestores tomem decisões mais alinhadas à operação.
A gestão da energia, tão crucial quanto a do tempo, envolve a observação dos próprios ciclos de disposição. Pequenas pausas ao longo do dia, momentos de hidratação, alimentação adequada e breves desconexões visuais entre reuniões são essenciais para a recuperação da atenção e a redução do desgaste mental.
## Reduzindo a Carga Mental
A centralização de decisões sobrecarrega lideranças. Envolver equipes e pares em análises e discussões distribui responsabilidades, amplia perspectivas e gera decisões mais consistentes. Liderar não significa absorver toda a pressão, mas sim promover ambientes de trabalho mais saudáveis e colaborativos.
Macedo conclui que a busca por resultados não precisa culminar em esgotamento. Organizações e profissionais têm a oportunidade de construir modelos de trabalho sustentáveis, que equilibrem desempenho, colaboração e bem-estar.