Eleitores 'neutros' são risco à democracia, aponta estudo
Estudo revela que eleitores 'neutros' nos EUA são uma ameaça à democracia, votando como apoiadores de práticas antidemocráticas e dando margem para políticos minarem normas sem retaliação.

Um estudo recente aponta que eleitores americanos que se declaram 'neutros' em relação a práticas antidemocráticas representam uma ameaça significativa à estabilidade democrática nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, publicada na revista científica "Nature Human Behaviour", esses cidadãos, que tendem a responder "não concordo nem discordo" a questionamentos sobre a erosão de normas democráticas, comportam-se nas urnas de maneira similar àqueles que apoiam explicitamente tais violações.
## A Neutralidade Democrática em Foco
Os pesquisadores Matthew Hall, B. Tyler Leigh e Brittany Solomon, da Universidade de Notre Dame, argumentam que essa neutralidade, muitas vezes ignorada pela academia e pelo público em geral, permite que políticos explorem a falta de oposição para minar a democracia sem enfrentar repercussões eleitorais significativas. Em 2024, apesar de uma minoria apoiar abertamente atos antidemocráticos, milhões de americanos votaram em Donald Trump, figura associada a alegações de fraude eleitoral e retórica agressiva contra instituições democráticas.
O estudo sugere que essa dinâmica se assemelha ao cenário brasileiro às vésperas das eleições de 2018, quando a maioria elegeu Jair Bolsonaro, mesmo com um histórico de declarações antidemocráticas. A pesquisa estima que cerca de metade do eleitorado americano demonstra algum grau de neutralidade democrática, com até dois terços sendo neutros ou apoiando a violação de normas democráticas em pelo menos uma situação.
## Motivações por Trás da Neutralidade
Ao investigar as razões para essa neutralidade, os autores descobriram que a explicação mais comum entre os eleitores americanos é a condicionalidade, onde o apoio a práticas antidemocráticas pode surgir em circunstâncias específicas, como em resposta a ameaças percebidas ou quando resultados políticos se alinham a preferências pessoais. Outras razões incluem ambivalência e incerteza. Essa análise sugere que a falta de um posicionamento claro por parte de uma parcela considerável do eleitorado confere aos políticos maior margem de manobra para testar os limites das normas democráticas, com consequências potencialmente graves para a governança e a representatividade.