Eleições EUA e Brasil: Planalto avalia impacto de tarifas e cenário político
Eleições no Brasil e EUA em 2025 influenciam a percepção do Planalto sobre as novas tarifas americanas e a relação bilateral, com foco em pressões políticas e estratégicas.

O Palácio do Planalto monitora de perto a intersecção entre os processos eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos, prevendo que ambos influenciarão a relação bilateral e as chances de um alívio nas novas tarifas impostas por Washington. A eleição presidencial brasileira em outubro e as legislativas americanas em novembro são vistas como fatores cruciais.
## Impacto das Eleições nos EUA
A avaliação em Brasília é que as eleições americanas, que renovarão toda a Câmara dos Deputados e parte do Senado em novembro, podem gerar pressão política sobre o presidente Donald Trump. Informações indicam uma possível vitória democrata na Câmara, o que poderia complicar os planos de Trump. O governo brasileiro acompanha também a possibilidade de Trump tentar estender seu mandato além dos dois mandatos constitucionais permitidos, uma manobra que exigiria aprovação da Suprema Corte e do Congresso.
Contudo, auxiliares do presidente Lula não esperam uma mudança drástica na política externa americana para a América Latina, mesmo com uma eventual derrota de Trump no Congresso. A estratégia de Washington, que considera o Hemisfério Ocidental seu "quintal" a ser alinhado contra a China, deve permanecer. O Brasil é visto como um dos poucos países da região a resistir a essa influência, em um cenário onde governos de direita alinhados ao trumpismo têm ganhado força em países como Peru e Colômbia.
## Tarifaço e Relação Bilateral
As declarações públicas do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, indicam um claro desejo pela vitória de um candidato que não seja Lula, atribuindo ao petista a culpa pelas políticas econômicas americanas. A imposição do "tarifaço 2" não encerra as negociações, com o Brasil buscando ampliar a lista de exceções. No entanto, a proximidade da eleição presidencial brasileira e o posicionamento de Rubio em favor de um adversário de Lula geram poucas expectativas de progresso nas negociações, segundo fontes do governo.
A relação entre Lula e Trump, marcada por um pragmatismo surpreendente após o "tarifaço 1", tem levado o governo brasileiro a evitar críticas diretas a Trump, concentrando a artilharia em Marco Rubio. A proximidade entre os presidentes, iniciada com comentários lisonjeiros de Trump a Lula na ONU, molda a estratégia diplomática brasileira diante das novas sobretaxas.